Força-tarefa aponta mais de 7 mil acidentes de trabalho não registrados em frigorífico no Oeste do Paraná

Fiscalização identifica falhas graves em unidade industrial da Frimesa em Medianeira e leva empresa a firmar acordo para corrigir irregularidades

frigorifico medianeira
Técnicos durante a força-tarefa de março na unidade industrial em Medianeira (Foto: Divulgação/RFB)

Uma operação conjunta de fiscalização realizada no fim de março trouxe à tona um quadro alarmante no setor frigorífico do Oeste do Paraná (AQUI para relembrar). Levantamento divulgado esta semana revela que mais de 7 mil acidentes de trabalho deixaram de ser oficialmente registrados em uma unidade da Frimesa, em Medianeira.

De acordo com o Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR), foram identificados 7.094 casos sem emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), documento obrigatório nesses casos. A ausência de notificações também se estende às doenças ocupacionais — nenhuma ocorrência foi formalizada, o que levanta suspeitas de subnotificação em larga escala.

A planta industrial, de grande porte, opera com números expressivos: são cerca de 6,1 mil suínos abatidos por dia, produção diária de aproximadamente 18,6 toneladas de industrializados e um contingente de cerca de 5 mil trabalhadores.

Problemas estruturais e riscos à saúde

Durante a inspeção, os fiscais encontraram uma série de irregularidades que vão desde falhas ergonômicas até situações que colocam em risco direto a integridade dos funcionários. Um dos pontos mais críticos foi a identificação de 69 trabalhadoras gestantes atuando em ambientes com níveis de ruído iguais ou superiores a 80 decibéis — patamar que exige medidas de proteção específicas.

Também foram relatados problemas na movimentação manual de cargas, inadequações ergonômicas e falhas na segurança de máquinas, com áreas de risco acessíveis em alguns equipamentos.

Outro fator considerado preocupante é o sistema de detecção de amônia. Segundo a equipe de fiscalização, o mecanismo é insuficiente para o tamanho da operação e funciona de forma isolada, sem integração com alarmes gerais, o que pode agravar riscos em caso de vazamento do gás.

Ação integrada e medidas corretivas

A força-tarefa reuniu diferentes órgãos públicos, entre eles o Ministério Público do Trabalho, Receita Federal, Ministério do Trabalho e Emprego, Vigilância Sanitária e equipes do Corpo de Bombeiros.

Como resultado da operação, foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o MPT-PR e a cooperativa responsável pela unidade. O acordo prevê uma série de mudanças, incluindo o afastamento de gestantes de áreas insalubres, melhorias no sistema de detecção de amônia, ajustes nas condições ergonômicas e maior controle na rotina de trabalho.

A empresa também se comprometeu a reforçar a segurança de máquinas, implementar rodízio de funções, reduzir o ritmo de produção em determinados setores e regularizar a emissão de CATs, além de aprimorar a apuração de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

O cumprimento das medidas será monitorado pelo Ministério Público do Trabalho. Em caso de descumprimento, a cooperativa poderá ser penalizada com multas.

O episódio reforça a importância da fiscalização contínua e evidencia desafios ainda presentes na garantia de condições seguras e adequadas em grandes indústrias do país.


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