Um dos estudos mais consistentes já realizados sobre o fluxo nas fronteiras entre Brasil, Paraguai e Argentina acaba de ser entregue por pesquisadores da UDC (Centro Universitário Dinâmica das Cataratas). A pesquisa “Pontes Internacionais da Tríplice Fronteira 2024” , do Centro Universitário UDC; traz dados estratégicos que vão orientar ações nas áreas de segurança e turismo em Foz do Iguaçu e região.
Com base em dados coletados entre os dias 14 e 18 de novembro de 2023 nas pontes da Amizade (Brasil-Paraguai) e da Fraternidade (Brasil-Argentina), o estudo mapeia o perfil de veículos, pedestres e viajantes que cruzam diariamente as fronteiras mais movimentadas do país. O material foi entregue oficialmente nesta quinta-feira (28) a representantes da Receita Federal, Polícia Federal e do setor turístico.
Assista abaixo momento da entrega do estudo
“Hoje estamos entregando à sociedade 309 resultados que poderão ser utilizados de formas diferentes por cada órgão e setor”, afirmou o Pró-Reitor e coordenador das pesquisas da UDC, Prof. Dr. Fábio Prado.

Participação massiva e metodologia mista
O levantamento envolveu mais de 200 acadêmicos, professores e colaboradores em 102 horas ininterruptas de trabalho de campo. Combinando metodologias quantitativas e qualitativas, a pesquisa analisou o tráfego e as dinâmicas da região com precisão inédita.
Segundo Prado, o estudo vem sendo aprimorado ao longo dos anos com base em demandas específicas de instituições como a Receita Federal e a Polícia Federal. “Cada órgão tem uma necessidade diferente. Os dados mostram o que é mais urgente, o que precisa de atenção ou pode ser ajustado”, explicou.
Assista abaixo a entrevista com Fábio Prado
A pesquisa é financiada integralmente pela UDC e realizada em parceria com a Università degli Studi Roma Tre, da Itália. “É uma ação com um papel social relevante, que permite aos nossos alunos conhecerem profundamente a região em que vivem”, destacou a reitora da UDC, professora Rosicler Hauagge do Prado.
Ponte da Integração: estudo reforça necessidade de operação imediata
Durante a cerimônia de entrega, o auditor-fiscal e delegado adjunto da Alfândega da Receita Federal, Cláudio Marques, destacou a relevância do levantamento. “A pesquisa é referência tanto para a segurança quanto para o turismo. Ela não só quantifica, como qualifica, revelando o perfil dos viajantes.”
Para Marques, os dados escancaram uma urgência: a Ponte da Amizade não suporta mais o volume atual de tráfego. O estudo reforça a necessidade da entrada em operação da Ponte da Integração Brasil-Paraguai, já concluída, mas ainda sem funcionamento por falta de acessos e estrutura aduaneira.
Impacto no turismo e no comércio
Representantes do setor turístico e empresarial também ressaltaram o valor estratégico da pesquisa. Para o presidente do Sindihotéis, Camilo Rorato, os dados servem como bússola para campanhas de divulgação e captação de visitantes.
“Ela baliza a publicidade e nos ajuda a entender que mercado devemos buscar. É uma ferramenta essencial para o planejamento”, afirmou Rorato.
O empresário Mário Camargo, diretor de Comércio Exterior da ACIFI, definiu o estudo como “a bíblia para tomadas de decisão futuras”. Segundo ele, a iniciativa da UDC acabou com o “achismo” que predominava em análises sobre o tráfego nas fronteiras. “Agora temos dados concretos para enfrentar os gargalos que existem — e que devem diminuir com a nova ponte.”
Segurança pública: academia e polícia em sinergia
O delegado da Polícia Federal, Fabiano Bordignon, também destacou a importância da pesquisa para o combate ao crime. “A PF não tem estrutura para realizar esse tipo de levantamento no dia a dia. Com o apoio da academia, conseguimos balizar ações e orientar decisões estratégicas.”
A quem interessa?
A pesquisa é utilizada por uma série de instituições e órgãos: Receita Federal, Polícia Federal, DNIT, Polícia Rodoviária Federal, Marinha do Brasil, ACIFI, Comtur, Codefoz, Sindhotéis, Fundo Iguaçu, Polo Iguassu, Prefeitura de Foz do Iguaçu, secretarias municipais, além dos consulados da Argentina e do Paraguai.
Os dados completos estão disponíveis para consulta no site oficial da UDC.
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