O diretor jurídico da Itaipu e diretor-geral brasileiro em exercício, Luiz Fernando Delazari, visitou nesta quinta-feira (15) as obras do Campus Arandu da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu. O empreendimento, viabilizado por parceria da hidrelétrica por meio do acordo de cooperação com o Unops (Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos) e a universidade, registra execução de cronograma adiantada e já emprega 419 trabalhadores.
Durante a visita, Delazari conheceu o programa de visitação da construção — considerado único no mundo por permitir que grupos da Unila acompanhem semanalmente o andamento dos trabalhos — e percorreu as instalações dos três edifícios em execução: o restaurante universitário e biblioteca, o bloco de salas de aula e o prédio administrativo de 18 andares.
“É uma obra fantástica. Demonstra claramente a preocupação que o governo do presidente Lula tem com a educação no Brasil, com o nosso processo educacional. Enquanto o governo passado pensou em implodir a obra, o atual determinou sua retomada, demonstrando claramente as diferentes visões de mundo e da importância da educação na construção de um País mais justo e solidário”, afirmou Delazari. O diretor lembrou ainda que se trata de uma obra do renomado arquiteto Oscar Niemeyer, considerada sua última grande criação.
Para a estagiária da Itaipu e estudante da Unila Yanki Karem Barreiros da Silva, visitar o canteiro de obras do Campus Arandu é uma experiência especial. Ao testemunhar o andamento da construção, ela definiu o sentimento que compartilha com a comunidade acadêmica. “É um sonho. Um sonho coletivo de alunos e professores, porque vai ampliar as oportunidades acadêmicas e garantir melhores espaços de aprendizagem e convivência”, resumiu.
Retomada em 2023, após anos de paralisação, a construção tem contrato de R$ 687 milhões. Segundo Ronaldo Schiavoni, coordenador técnico do Unops na obra, o empreendimento mantém o cronograma adiantado e deve entregar a primeira etapa em junho de 2026, conforme prometido pelo governo federal. Ele destacou a capacidade técnica da construtora e seu compromisso com os prazos.
Glauber Pedro Gonçalves da Silva, da área jurídica da Itaipu, auxiliou na elaboração dos pareceres que viabilizaram a retomada da construção e acompanhou as tratativas entre a Binacional e Unops para formalização do convênio. Para ele, a obra trará avanços sociais significativos. “A universidade produz pessoas preparadas para construir um país melhor, fortalece o espírito de solidariedade que une o continente e gera movimentação econômica local com emprego, renda e fomento às atividades culturais e turísticas”, afirmou. Glauber também enfatizou que a obra arquitetônica será visitada eternamente por ser uma das últimas grandes criações de um dos maiores arquitetos da história.
Inclusão social e Sustentabilidade
O Campus Arandu destaca-se não apenas pela grandiosidade arquitetônica, mas também pelas iniciativas de inclusão social implementadas no canteiro de obras. Atualmente, 12 pessoas do sistema prisional trabalham na construção por meio de parceria com o Departamento Penitenciário (Depen), em programa de redução de penas e ressocialização. A meta é ampliar esse número para 44 trabalhadores nos próximos meses. Além disso, a obra mantém no mínimo de 15% de mão de obra de grupos prioritários, incluindo mulheres, egressos do sistema penal, pessoas com deficiência, migrantes e jovens no primeiro emprego.
Entre as ações de sustentabilidade implementadas no projeto estão o monitoramento e resgate de fauna (mais de 70 animais), a criação de um corredor ecológico para trânsito de animais silvestres, política de Plástico Zero no canteiro, aproveitamento de águas pluviais para reuso, utilização de vidros duplos para eficiência térmica e estudo para instalação de placas fotovoltaicas no estacionamento.
O complexo somará 94 mil metros quadrados de área construída, sendo o bloco de salas de aula o maior dos três prédios, com 45 mil m². O sistema viário de 90 mil m² circulará todo o terreno, e um bolsão de estacionamento atenderá a comunidade acadêmica. A previsão de entrega final da obra é agosto de 2027.
A estrutura de governança do projeto inclui reuniões mensais do comitê técnico — com participação de Itaipu, Unops e Unila — para definições sobre a execução, além do conselho executivo, que se reúne esporadicamente para decisões sobre execução financeira e questões contratuais. O Ministério da Educação também participa da governança do projeto.
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