Um brasileiro relatou em entrevista à imprensa do Paraguai, os momentos de terror que ele e um amigo viveram após serem sequestrados e supostamente extorquidos por policiais da Polícia Nacional do Paraguai, no departamento de Alto Paraná, cuja capital é Ciudad del Este, unida a Foz do Iguaçu pela Ponte da Amizade.
O caso resultou na prisão de quatro agentes e na abertura de investigação contra outros quatro policiais da mesma unidade.
Segundo o depoimento da vítima, em vídeo enviado em grupos de WhatsApp, ele e outro brasileiro trafegavam pela Rota PY06, na região da Colônia Jerusalém, distrito de Iruña, acompanhados por uma mulher paraguaia, quando foram interceptados por uma viatura policial.
Leia também
Os agentes alegaram que os brasileiros teriam entrado ilegalmente no país e, a partir desse momento, passaram a fazer ameaças.
“Eles disseram que a gente estava ilegal e que só sairia dali se pagasse. Foi um terror psicológico o tempo todo”, relatou o brasileiro à imprensa.
De acordo com ele, os policiais exigiram o pagamento de US$ 10 mil para liberar o grupo, mantendo as vítimas sob vigilância constante e ainda pela acusação de suposto porte de drogas.
Ainda conforme o relato, os agentes conduziram os brasileiros até um hotel em Ciudad del Este, sob o pretexto de buscar o dinheiro exigido. No local, uma das vítimas conseguiu pedir socorro ao recepcionista, que acionou imediatamente a Polícia Nacional.
A denúncia levou à prisão do suboficial maior Francisco Cuellar, subchefe da Subdelegacia nº 47, e do suboficial maior Silvio Bogado.
Ambos foram detidos inicialmente e encaminhados à Direção de Polícia de Alto Paraná. Horas depois, também foram presos o suboficial inspetor Guillermo Gómez e o suboficial inspetor Mauro Mendieta.
Além dos quatro agentes detidos, outros policiais da mesma unidade passaram a ser investigados, entre eles o chefe da subdelegacia, Ever Cabrera, além de Basilio Barrios, Carlos Aüero e Arnaldo Flores, que não estavam de serviço no momento da ocorrência. A investigação está a cargo de equipes da 1ª Delegacia de Polícia de Leste.
Em nota, a Polícia Nacional do Paraguai informou que não descarta a existência de um esquema maior e avalia uma possível intervenção completa na Subdelegacia nº 47, com o objetivo de apurar responsabilidades administrativas e criminais.
O brasileiro afirmou ainda que decidiu tornar o caso público para evitar que outras pessoas passem pela mesma situação.
“Se eu não tivesse conseguido pedir ajuda, não sei o que teria acontecido. Foi um abuso de autoridade”, declarou a vítima. O caso segue sob investigação.
Assista abaixo o depoimento da vítima à imprensa do Paraguai
Confira notícias de Foz do Iguaçu no Facebook do Diário de Foz e no Instagram do Diário de Foz
