Porto Seco de Foz do Iguaçu supera recorde e movimenta US$ 9,7 bilhões em 2025

Números reforçam o status de mais importante centro logístico de comércio exterior para operações realizadas por via rodoviária da América do Sul

Porto seco de Foz e o terminal com maior movimento de cargas no Brasil Foto Marcos Labanca
Porto seco de Foz é o terminal com maior movimento de cargas no Brasil - Foto Marcos Labanca

Em 2025, o Porto Seco de Foz do Iguaçu consolidou sua relevância estratégica com uma movimentação financeira de US$ 9.799.617.735,01. O montante representa uma evolução de 13,86% na corrente de comércio em relação ao ano anterior. No que tange ao volume de carga, o recinto alfandegado processou 5.161.056,27 toneladas.

Os números consolidam o recinto como o principal hub logístico de comércio exterior por via rodoviária na América do Sul e projeta a importância estratégica de Foz do Iguaçu, posicionando sua infraestrutura como referência para a movimentação de riquezas entre as nações do Mercosul e mostra a importância estratégica de Foz do Iguaçu, posicionando a estrutura como referência para a movimentação de riquezas entre as nações do Mercosul.

Estrategicamente localizado na Tríplice Fronteira, mantém o pioneirismo nacional ao
ser o único a operar embarques noturnos de grãos a granel. Essa operação ininterrupta
otimiza o fluxo logístico, acelera o escoamento da safra e garante uma vantagem
competitiva decisiva ao agronegócio regional, elevando o patamar das exportações
brasileiras no mercado global.

Desempenho Operacional: Fluxo de Cargas e Comércio Exterior

Screenshot 4

Os dados consolidados a seguir discriminam as operações de importação e exportação,
apresentando os valores comerciais e volumes processados nos procedimentos de
desembaraço aduaneiro realizados ao longo do ano:

Screenshot 5

Análise do Fluxo de Mercadorias
Conforme detalhado no quadro acima, o montante movimentado em 2025 divide-se
entre US$ 5,05 bilhões em exportações (1,69 milhão de toneladas) e US$ 4,74
bilhões em importações (3,46 milhões de toneladas).

Screenshot 6

Embora o volume físico de cargas tenha registrado uma redução de 5,31% — passando
de 5,45 milhões de toneladas em 2024 para 5,16 milhões em 2025 — a corrente de
comércio exterior apresentou um crescimento robusto de 13,86% em termos
financeiros, conforme quadro abaixo.

Leia também

Essa divergência entre o peso e o valor das mercadorias é um indicador estratégico
importante: ela sinaliza uma transição no perfil comercial da região, com uma
participação crescente de produtos de maior valor agregado.
Análise Setorial e Valor Agregado

O aumento de 13,86% no valor financeiro, em contraste com a redução no volume
físico, reflete uma mudança qualitativa no mix de mercadorias processadas. Entre os
fatores que impulsionaram esse cenário, destacam-se:

● Setor Agroindustrial: Embora o volume de grãos a granel mantenha sua
relevância, houve um incremento no fluxo de insumos agrícolas e maquinários
de alta tecnologia, que possuem valor de mercado superior por tonelada.
● Industrializados e Eletrônicos: O fortalecimento do comércio de bens de
consumo duráveis, componentes eletrônicos e produtos manufaturados
provenientes do Paraguai e Argentina contribuiu diretamente para a elevação
do ticket médio das operações.
● Eficiência Logística: O regime de embarques noturnos e a agilidade no
desembaraço aduaneiro têm atraído importadores e exportadores de cargas
críticas e de alto valor, que demandam segurança e previsibilidade.

O Porto Seco de Foz do Iguaçu reafirma sua liderança na América Latina com a
liberação de 215.070 caminhões em 2025 — um crescimento de 11,65% comparado ao
ano anterior.

A análise por país revela a centralidade do comércio com o Paraguai, que detém a
maior fatia das operações, seguido pela Argentina:

● Paraguai: Responde por 77,50% do movimento total, com 166.661 caminhões
processados (77.739 na exportação e 88.922 na importação).
● Argentina: Representa 22,50% do fluxo, totalizando 48.409 veículos (11.703 na
exportação e 36.706 na importação).

O quadro abaixo apresenta os números de caminhões com cargas de importação e
exportação que ingressaram no Porto Seco de Foz do Iguaçu em 2025, destacando os
países de procedência/destino:

Screenshot 7

As importações representam 58,41% do fluxo de caminhões, enquanto as exportações
representam 41,59%. Embora o fluxo de saída seja menor em quantidade de veículos (41,59%), ele é relevante em valor financeiro. Essa proporção é um dado fundamental para entender a balança comercial da nossa fronteira. Embora Foz do Iguaçu seja um grande polo exportador, o fato de a importação deter 58,41% do fluxo de caminhões revela o papel da cidade como o
principal “portal de entrada” de insumos para o Brasil.

Esse cenário de 58% vs 41% mostram que Foz do Iguaçu é, estrategicamente, mais do
que um corredor; é o ponto onde o Brasil “respira” o comércio do Mercosul, servindo
de base para que a indústria nacional receba matéria-prima e o agronegócio regional
se integre.

Mercadorias desembaraçadas

A diversidade de produtos processados no Porto Seco de Foz do Iguaçu em 2025 reflete
a complexidade das cadeias produtivas regionais. Enquanto as exportações brasileiras
são marcadas por itens industrializados e insumos para o setor produtivo, as importações destacam-se pelo peso das commodities e recursos energéticos.

O fluxo intenso de caminhões trazendo soja, milho e trigo do Paraguai, especialmente
durante as “operações noturnas” (que batem recordes constantes), é o que mantém
esse percentual elevado.

A entrada de itens como farinha de trigo, frutas, alho e vinhos também contribui para
essa balança, consolidando Foz como o centro de abastecimento do Sudeste brasileiro.

O quadro abaixo detalha as principais mercadorias movimentadas, categorizadas por
origem e destino:

Screenshot 8

Os dados revelam que Foz do Iguaçu está se tornando um hub logístico estratégico de
primeira ordem no Cone Sul.

Vale destacar alguns pontos que se apresentam como divisores de águas para o futuro
da região:

Foz do Iguaçu vive um momento divisor de águas em sua trajetória econômica. A
profunda reestruturação logística da região — impulsionada pela construção do novo
Porto Seco, a entrega da Perimetral Leste e a modernização das aduanas — redefine o
patamar de competitividade das empresas locais. Este novo cenário reduz drasticamente o tempo de desembaraço na fronteira e otimiza os custos operacionais, transformando o município e atrai novas transportadoras e grandes operadores logísticos globais para Foz do Iguaçu.

Um dos avanços mais significativos é a sinergia gerada entre os setores de turismo e
logística. A segregação dos fluxos de carga e de passageiros transformará a mobilidade
urbana de Foz do Iguaçu, reduzindo a poluição sonora e o desgaste das vias centrais. O
resultado é uma experiência mais segura, fluida e agradável para os visitantes. Com a
Ponte da Integração plenamente operacional e seus acessos concluídos, a expectativa
para 2026 é que a cidade consolide seu protagonismo estratégico na dinâmica
comercial do Mercosul.

Os dados apresentados confirmam o imenso potencial do comércio exterior brasileiro
nesta região fronteiriça. Na modalidade terrestre, o Porto Seco de Foz do Iguaçu
consolida-se como um dos principais da América Latina, projeta a pujança da economia
brasileira e demonstra a eficiência logística necessária para sustentar grandes volumes de exportação e importação, evidenciando a força e a resiliência das relações
comerciais do Brasil com seus parceiros internacionais.

A atuação da Receita Federal na região demonstra que é perfeitamente possível aliar o
rigor do controle aduaneiro à facilitação de negócios, assegurando ao Brasil um papel
de liderança no cenário global. Mais do que administrar tributos, a RFB consolida-se
como um agente fundamental de desenvolvimento, impulsionando a eficiência
logística e a prosperidade econômica na Tríplice Fronteira. Esse trabalho reafirma o
compromisso institucional do órgão com a administração do sistema tributário e
aduaneiro, contribuindo de forma efetiva para o crescimento econômico, a
competitividade regional e o bem-estar da sociedade brasileira.


Confira notícias de Foz do Iguaçu no Facebook do Diário de Foz e no Instagram do Diário de Foz