Com o objetivo de ser um Fórum Inter-religioso de Combate à Intolerância Religiosa, como um espaço de diálogo permanente, o evento reunirá em Foz do Iguaçu, na Mesquita Omar Ibn Al-Khattab, organizadora do encontro, representantes de diferentes confissões, poder público e sociedade civil. Promover uma cultura de paz, defender à liberdade de crença e combater à intolerância religiosa são temas do debate.
“Num país como o Brasil, o diálogo inter-religioso é algo fundamental na medida em que temos uma variedade enorme de religiões. É um estado laico e, portanto, essa tolerância e acolhimento entre todas as religiões é fundamental”, destaca Roberto Nonato, jornalista que fará à mediação do evento.
Líderes religiosos e membros da comunidade compartilharão reflexões, experiências e caminhos para uma convivência mais respeitosa. Um convite à escuta, ao diálogo e ao respeito entre diferentes crenças. “Ele promove o diálogo, a convivência entre diferentes tradições religiosas e fortalece à educação para a diversidade”.
“Vivemos em uma fronteira com diversidade, tanto nas crenças, como na comida, vestimenta, na língua. Um evento como esse contribui no combate ao racismo em si. A partir destes encontros, construímos alianças para combater o racismo, fomentar uma sociedade melhor, mais igualitária e inclusiva”, destaca Maze Saad, presidente do COMPIR – Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial de Foz do Iguaçu.
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Para a maior e mais importante organização internacional intergovernamental do mundo, fundada em 1945, promotora da paz, segurança e cooperação global, ONU, a intolerância se aplica tanto a nível individual quanto de grupos e Estados, com consequências diretas no desenvolvimento e na democracia. E enfatiza que a educação é a ferramenta principal neste combate, promovendo o respeito e a aceitação das diferenças.
“Eventos assim, são espaços de reflexão, de formulação de políticas públicas, de educação jurídica e para o fortalecimento da democracia. Ajudam a transformar princípios jurídicos abstratos, como liberdade religiosa e igualdade, em práticas concretas da sociedade”, pontua Dra. Jamila Hussein, advogada, diretora social da ANAJI-Associação Nacional de Juristas Islâmicos, membro da Comissão Inter-religiosa de Juristas e do Grupo Inter-religioso Diálogo e Paz.
Declaração de Princípios sobre a Tolerância da UNESCO
Segundo a UNESCO e a ONU, a intolerância é a rejeição da diversidade, uma atitude odiosa, agressiva ou de indiferença que viola os direitos humanos e as liberdades fundamentais. Mais do que falta de respeito, é a estigmatização, exclusão ou silenciamento de culturas, opiniões ou crenças diferentes, frequentemente alimentada por preconceitos e dogmatismo.
Existem alguns postos-chave na Declaração de Princípios sobre a Tolerância da UNESCO de 1995, entre eles, violação de direitos, onde a intolerância é vista como uma negação dos direitos humanos universais, não apenas uma opinião pessoal e a agressão à diversidade, ou seja, recusa em aceitar o “outro” e a rica variedade de culturas, formas de expressão e modos de ser humanos. Preconceito e ódio também são destacados, o que inclui atitudes baseadas em medos, estereótipos e dogmas que geram exclusão e silenciamento e oposição à tolerância.
De acordo com a definição da ONU, tolerância não é passividade, mas o respeito ativo e a valorização da diversidade, sendo um requisito político e legal para comunidades mistas.
De acordo com o líder religioso muçulmano, Sheikh Jihad Hammadeh, conselheiro religioso da ANAJI- Associação Nacional de Juristas Islâmicos e vice-presidente da UNI- União Nacional das Entidades Islâmicas, o diálogo inter-religioso é também uma prática religiosa. “É uma ordem para os muçulmanos”.
“Precisamos debater, dialogar com os não muçulmanos. Entendemos o outro, concordamos e discordamos. É um direito discordar, mas não desrespeitar. Se implementarmos isto, viveremos em harmonia e respeito”.
“Desta forma, conseguiremos trabalhar nas convergências. Precisamos sempre estarmos unidos para estabelecermos a paz e a liberdade religiosa em nosso país. Que todos sejamos conscientes e conscientizemos as pessoas para o respeito aos mais diferentes credos e religiões. Que respeitemos os outros, mesmo que sejam diferentes de nós”.
Programação: palestrantes confirmados
Roberto Nonato
Sobre:
Roberto Nonato, experiente jornalista e radialista brasileiro que retornou à Jovem Pan em fevereiro de 2025 para assumir a bancada do “Jornal da Manhã”. Com mais de 30 anos de carreira, possui pós-graduação em Relações Internacionais. Destacou-se na CBN, teve passagens pela CNN Brasil, Novabrasil, Eldorado e Antena 1, sendo reconhecido pela credibilidade na ancoragem.
Sheikh Jihad
Sobre:
Sheikh Jihad Hammadeh, presidente do ICP- Instituto Cinco Pilares, conselheiro religioso da ANAJI- Associação Nacional de Juristas Islâmicos e vice-presidente da UNI- União Nacional das Entidades Islâmicas.
Dra. Jamila Hussein
Sobre:
Advogada. Membro e diretora social da ANAJI-Associação Nacional de Juristas Islâmicos, membro da Comissão Inter-religiosa de Juristas e do Grupo Inter-religioso Diálogo e Paz.
Dra. Anice Gazzaoui
Sobre:
Advogada e vereadora em Foz do Iguaçu, é reconhecida como a primeira vereadora muçulmana e de origem árabe na América Latina.
Dom Sergio de Deus Borges
Sobre:
É o atual Bispo Diocesano de Foz do Iguaçu (PR), nomeado pelo Papa Francisco e empossado em 2019. É mestre em Direito Canônico e atua na liderança pastoral da região da tríplice fronteira.
Dr. Luciano Lima
Sobre:
Advogado, presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB Foz e vice-presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB/ PR.
Pastor Gilson Alcantara
Sobre:
Presidente do COPEFI-Conselho de Pastores e Ministros Evangélicos de Foz do Iguaçu.
Serviço:
Evento: FÓRUM NACIONAL INTER-RELIGIOSO DE COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA.
Data: 29/03
Hora: 20h30, entrada gratuita
Local: Salão Nobre da Mesquita de Foz- Mesquita Omar Ibn Al-Khattab.
AQUI para A inscrição
Certificado: 4 horas
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