Do turismo a potência logística: Foz se prepara para liderar o transporte rodoviário na América Latina

Novo Porto Seco deve entrar em operação ainda em 2026 e transformar a cidade em eixo estratégico do comércio no Mercosul

novo porto seco
Vista aérea do novo Porto Seco de Foz do Iguaçu, às margens da BR-277 (Foto: Divulgação)

Conhecida mundialmente pelas Cataratas, Foz do Iguaçu está prestes a dar um salto além do turismo. Com previsão de conclusão ainda em 2026, o novo Porto Seco promete transformar a cidade no maior hub logístico rodoviário da América Latina.

Localizado às margens da BR-277, o terminal terá 550 mil metros quadrados e capacidade para receber até 2 mil caminhões por dia — um aumento de 30% em relação à estrutura atual.

A proposta é não apenas ampliar o fluxo de cargas na tríplice fronteira com Paraguai e Argentina, mas também reduzir o impacto do trânsito pesado na área urbana.

O projeto é liderado pela Multilog, que investe cerca de R$ 550 milhões na obra, com apoio do poder público e da Receita Federal. A expectativa é de geração de 250 empregos diretos e um salto na competitividade do comércio exterior da região.

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Para o prefeito Joaquim Silva e Luna, o empreendimento marca uma mudança estrutural no perfil econômico da cidade. “Estamos deixando de ser apenas um destino turístico para nos consolidarmos como um dos principais centros logísticos do continente”, afirmou.

Novo panorama

A nova estrutura integra um conjunto de obras estratégicas que redesenham a mobilidade regional, como a Ponte da Integração e a Perimetral Leste, além da duplicação da Rodovia das Cataratas (BR-469), que facilita o acesso ao Parque Nacional do Iguaçu e ao Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu.

Com padrão internacional, o complexo logístico contará com pátios amplos, áreas de armazenagem, câmaras frias, scanners de inspeção e sistemas automatizados de controle e segurança. Também haverá infraestrutura de apoio para motoristas, com espaços de descanso e serviços.

A aposta vai além da fronteira. A Multilog planeja implantar um terminal de contêineres no local, com foco em redirecionar cargas do Paraguai que hoje seguem para o Porto de Montevidéu, passando a utilizar o Porto de Paranaguá — rota cerca de 400 quilômetros mais curta a partir de Assunção.

Avanço

Os números já indicam o potencial de crescimento. Em 2025, o atual Porto Seco movimentou R$ 9,7 bilhões, com mais de 215 mil caminhões e 5,15 milhões de toneladas de cargas — recorde histórico.

Para o governador Ratinho Júnior, o novo terminal representa um marco para o estado. “É uma estrutura que traz eficiência, fortalece a fiscalização e impulsiona o comércio exterior”, destacou.

Com localização estratégica e investimentos robustos, Foz do Iguaçu caminha para consolidar um novo papel no cenário sul-americano — agora, como protagonista da logística continental.


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