Fiscalização aponta mudança na atuação da caça ilegal, com aumento de incidência nas áreas de borda da unidade de conservação; tecnologia tem reforçado as ações de monitoramento
O uso de satélites, drones, GPS e plataformas de monitoramento geoespacial permitiu ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) identificar uma mudança na estratégia de atuação de caçadores ilegais no Parque Nacional do Iguaçu. Segundo o órgão, os criminosos passaram a concentrar as atividades nas áreas próximas aos limites da unidade de conservação, diferente do cenário registrado há 10 anos atrás.
Esse comportamento revela uma adaptação das quadrilhas e caçadores à intensificação da fiscalização. Antes, a maior parte das ocorrências era registrada na chamada área intangível do parque, especialmente na região da Bacia do Rio Floriano. Atualmente, os registros mostram concentração das atividades ilegais próximas aos limites com propriedades rurais e municípios vizinhos, onde o acesso é mais rápido e a fuga se torna facilitada.

Os agentes de fiscalização também apontam o crescente grau de organização dos grupos. Muitos utilizam drones, equipamentos de visão noturna, sistemas de comunicação e olheiros posicionados em pontos estratégicos para monitorar a movimentação das forças de fiscalização. Durante o inverno a disponibilidade natural de alimentos diminui e os caçadores instalam cevas com milho e outros alimentos para atrair animais silvestres, aumentando a eficiência das emboscadas.
As informações são obtidas por meio de sistemas como o EarthRanger e o SMART, que permitem acompanhar patrulhas em tempo real, mapear rotas utilizadas pelos infratores, identificar áreas de maior risco e direcionar as operações de fiscalização com maior precisão. O monitoramento é realizado de forma integrada por equipes do ICMBio, Polícia Federal, Polícia Militar Ambiental e outros órgãos parceiros.
Nos últimos quatro anos, as operações de combate à caça ilegal resultaram na localização de 102 acampamentos clandestinos, na prisão em flagrante de 104 pessoas e na destruição de 1.483 estruturas utilizadas pelos caçadores. Entre 2025 e 2026, também foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão relacionados às investigações.
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Somente no primeiro semestre de 2026, o Parque Nacional do Iguaçu registrou 122 ocorrências de crimes ambientais, incluindo caça, pesca ilegal e extração clandestina de palmito. O ICMBio informou que o sistema de vigilância deverá ser ampliado com a instalação de câmeras inteligentes e a utilização de drones de maior alcance para fortalecer o monitoramento da unidade.
A caça ilegal representa uma das principais ameaças à biodiversidade do parque, afetando espécies como anta, paca, veado-mateiro, porco-do-mato, jacutinga e mutum. Além de reduzir as populações desses animais, a prática compromete o equilíbrio ecológico da Mata Atlântica e impacta diretamente predadores como a onça-pintada, espécie símbolo da conservação na região.
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