Zé Beto Maciel
Os candidatos iguaçuenses nas eleições proporcionais de 4 de outubro terão um desafio pela frente: convencer os eleitores da cidade que as melhores propostas são daqueles que moram em Foz do Iguaçu e não de candidatos de fora.
Ao longo das eleições, os candidatos de outras plagas avançam no eleitorado local e hoje são os mais votados a cada pleito. É o que consta no levantamento do professor Luiz Carlos Kossar do resultado das últimas seis eleições junto ao TSE.
Na eleição para deputado federal de 2022, foram votos 139.053 válidos, dos quais 69.878 em candidatos de fora e 69.175 em candidatos com domicílio eleitoral em Foz do Iguaçu. Acompanham a curva dos votos paraquedistas versus os votos dos locais: 2002 (18.642 x 101.947), 2006 (21.609 x 87.053), 2010 (20.762 x 98.010), 2014 (29.807 x 90.360), 2018 (52.726 x 68.761) e 2022 (69.878 x 69.175). Os votos válidos cresceram de 120.589 (2002) para 139.043 (2022). Percentualmente, os votos para federais passaram de 84,54% (2002) para 49,75% (2022).
Em 2022, pode-se até dizer que os eleitores elegeram dois deputados federais e um suplente que assumiu o mandato por duas vezes. Luciano Alves (Podemos) – 18.639 votos em Foz do Iguaçu, Vermelho (PP) – 18.525 votos e Giacobo (PSD) – 7.370 votos.
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Entre os mais votados na cidade, quatro são de fora e se elegeram: Gleisi (PT) – 10.020 votos, Deltan Dallagnol (Novo) – 7.397 votos, Felipe Barros (PL) – 5.296 votos, e Sargento Fahur (PL) – 5.185 votos. Nota-se ainda que mais 22 candidatos eleitos ou reeleitos conseguiram votos na cidade.
Estadual
Na eleição para deputado estadual, o crescimento dos candidatos de fora também se acentua nos dois últimos pleitos (2018 e 2022), mas com maior vantagem aos candidatos locais. Veja os números dos de fora versus os locais : 2002 (13.235 x 107.354), 2006 (13.049 x 109.428), 2010 (13.297 x 106.910), 2014 (29.807 x 90.360), 2018 (38.976 x 84.974) e 2022 (40.189 x 86,440). Os votos válidos saíram de 120.589 (2002) para 126.629) – 68,26% e 31,74%.
Nesta eleição, somente o deputado Matheus Vermelho (PP) foi eleito com 10.884 votos locais. Rosa Maria (MDB) – mulher do ex-prefeito Chico Brasileiro, hoje no PSDB – fez 19.025 votos e ficou na primeira suplência. Soldado Fruet (PL) exercia seu primeiro mandato e fez 13.677 votos e não conseguiu sua reeleição.
Kossar faz quatro observações sobre o resultado das últimas seis eleições. “O eleitor de Foz do Iguaçu está abandonando os candidatos a deputado estadual e federal da cidade. Em duas décadas, os votos nominais nos seis últimos pleitos permaneceram estáveis, indicando êxodo de eleitores. A pulverização de siglas partidárias possibilitou o surgimento de candidatos que servem apenas como cabos eleitorais dos partidos. E a evolução das tecnologias digitais facilitou e continuará a facilitar a penetração de inúmeros candidatos de outros locais”.
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