O volume de apreensões no ano, a maioria dos casos na região de Foz do Iguaçu, representa uma alta de 172% em relação a todo o ano passado
A pressão sobre a fronteira entre Brasil e Paraguai ganhou um novo capítulo nesta semana, desta vez no campo da fiscalização sanitária. O avanço do comércio irregular de medicamentos para emagrecimento levou as autoridades dos dois países a formalizarem uma parceria para tentar interromper a circulação desses produtos antes que eles cheguem ao mercado brasileiro.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) assinou, nesta quinta-feira (20), em Brasília, um acordo com a Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai (Dinavisa) para ampliar a cooperação no controle de produtos sujeitos à fiscalização sanitária.
O acordo prevê a troca de informações e o trabalho conjunto em ações de fiscalização e investigação relacionadas ao contrabando, à falsificação e à circulação irregular de medicamentos e outros produtos submetidos à vigilância sanitária.
Apreensões explodem em 2026
A parceria é anunciada em um momento em que os números das apreensões chamam atenção. Dados da Polícia Federal apontam que 165.589 unidades de medicamentos para emagrecimento foram apreendidas no Brasil somente até junho de 2026.
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O volume já supera em mais de duas vezes o total registrado durante todo o ano passado. Em 2025, foram 60.865 unidades apreendidas.
Na comparação entre os períodos, a alta chega a 172%, mesmo com os dados de 2026 correspondendo apenas aos seis primeiros meses do ano.
Entre os produtos encontrados estão canetas injetáveis, ampolas e frascos de medicamentos utilizados para perda de peso, incluindo produtos à base de semaglutida e tirzepatida.
Paraguai no centro da rota
Parte relevante dos produtos apreendidos entra no Brasil por rotas ligadas à fronteira com o Paraguai. O fluxo coloca as autoridades sanitárias diante de um desafio que vai além da fiscalização de mercadorias: identificar a origem, verificar a composição dos medicamentos e impedir que produtos sem registro ou controle sanitário sejam comercializados no país.
Pelo acordo, a Dinavisa poderá fornecer à Anvisa informações que contribuam para ações de fiscalização, investigações e apreensões, permitindo que dados obtidos de um lado da fronteira sejam utilizados para orientar operações do outro.
Na prática, a intenção é aproximar os órgãos responsáveis pelo controle sanitário para dificultar o funcionamento de uma cadeia que começa fora do Brasil e termina na oferta de medicamentos ao consumidor brasileiro.
Uma fronteira que também é sanitária
O avanço das apreensões transforma a circulação de canetas emagrecedoras em mais um desafio para a fiscalização na fronteira. Além do combate ao contrabando, a preocupação envolve a procedência dos produtos e as condições em que medicamentos são armazenados, transportados e comercializados fora do sistema regulado.
A preocupação aumenta no caso de medicamentos injetáveis, que dependem de condições adequadas de conservação e de controle de qualidade para garantir segurança e eficácia.
Com a assinatura do acordo, Brasil e Paraguai passam a ter um novo instrumento de cooperação justamente quando o mercado ilegal desses produtos registra forte expansão.
O desafio agora será transformar a troca de informações em ações capazes de reduzir a entrada de medicamentos irregulares no Brasil e atacar a cadeia de distribuição ainda do lado paraguaio da fronteira.
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