“Você fraudou a Lei da Ficha Limpa. Foi condenado por unanimidade pelo TSE. Está inelegível, está ilegal, porque é ficha suja”, disse Gleisi a Deltan
Durante o debate promovido pela Band Paraná na noite desta quarta-feira (9), a candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) confrontou Deltan Dallagnol sobre sua situação de inelegibilidade, criticou declarações de candidatos da direita e apresentou propostas para áreas como segurança pública e regulamentação das apostas esportivas. A candidata também destacou sua experiência política e defendeu maior representação do Paraná no Senado Federal.
Na abertura do debate, Gleisi destacou sua trajetória na administração pública e no governo federal. Ela citou as passagens pela Secretaria Municipal de Londrina, pela Itaipu Binacional, pela Casa Civil e pela Secretaria de Relações Institucionais.
A candidata também mencionou sua atuação anterior no Senado Federal e projetos relacionados aos direitos das mulheres e à transparência no Legislativo.
“Quando fui senadora, lutei pelo direito das mulheres. Fui relatora da lei que instituiu o feminicídio, da propositora das Patrulhas Maria da Penha e da aposentadoria das donas de casa. Meu primeiro projeto como senadora foi acabar com o 14º e o 15º salário de senadores e deputados”, afirmou.
Segundo Gleisi, a experiência em Brasília pode contribuir para ampliar a destinação de recursos federais ao estado. “Eu conheço bem Brasília e conheço o Senado. Eu sei o quanto a gente pode fazer para trazer mais investimentos de Brasília para o Paraná e colocar ainda mais o Paraná em Brasília”, declarou.
Gleisi questiona situação eleitoral de Deltan
Ao longo do debate, Gleisi questionou repetidamente a situação eleitoral de Deltan Dallagnol. A candidata citou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de 2023, que, por unanimidade, cassou o registro de candidatura de Dallagnol ao cargo de deputado federal nas eleições de 2022 e determinou que os votos recebidos fossem destinados ao partido.
Na decisão, o TSE aplicou a alínea “q” da Lei de Inelegibilidade, que estabelece a inelegibilidade, pelo prazo de oito anos, de membros do Ministério Público que tenham pedido exoneração ou aposentadoria voluntária enquanto estiverem respondendo a processo administrativo disciplinar.
Dallagnol deixou o Ministério Público Federal (MPF) em novembro de 2021, enquanto havia procedimentos em tramitação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Durante o debate, Gleisi afirmou que a situação do candidato deveria ser analisada à luz da decisão do TSE.
“Você fraudou a Lei da Ficha Limpa, Deltan. Essa decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já está sendo questionada no TSE. Você continua inelegível. Está inelegível, está ilegal, porque é ficha suja. Foi condenado por unanimidade pelo TSE. Deltan quer que a lei se aplique para todos, mas, para ele, ele não quer que a lei seja aplicada”, afirmou.
A candidata também associou o discurso de combate à corrupção defendido por Dallagnol a alianças políticas. “Se Deltan combatesse de verdade a corrupção, como ele diz, ele não estava do lado do Flávio Bolsonaro, que ligou para o Vorcaro pedindo R$ 136 milhões e chamou o Vorcaro de ‘irmãozão’”, declarou.
Gleisi cobra Filipe Barros sobre projeto do FGC
Outro momento de confronto ocorreu quando Gleisi questionou o candidato Filipe Barros sobre um projeto apresentado por ele para elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF.
A candidata afirmou que a proposta poderia beneficiar o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, e questionou a origem da iniciativa.
“Eu quero perguntar para ele quem que pediu para ele apresentar o projeto que aumentava o valor do Fundo Garantidor, que beneficiava o Master e o Vorcaro. Foi o próprio Vorcaro? Foi o Flávio Bolsonaro? Ou foi o Eduardo Bolsonaro? Quem que te pediu esse projeto?”, questionou.
Câmeras corporais e combate ao crime organizado
Na área de segurança pública, Gleisi defendeu a utilização de câmeras corporais por policiais militares. Para a candidata, a medida deve ser acompanhada de melhores condições de trabalho e do fortalecimento das estruturas de inteligência.
“Nós temos a polícia que mais mata e que mais morre. Nós temos um índice de doença entre os policiais muito alto, exatamente por conta da tensão e do trabalho. Nós precisamos orientar melhor as nossas polícias e dar condições de trabalho, mas precisamos, sobretudo, também equipar a inteligência, combater o crime no andar de cima, aqueles que financiam o crime no território”, afirmou.
Gleisi também defendeu uma atuação integrada entre os diferentes níveis de governo no combate ao crime organizado e citou a PEC da Segurança Pública, encaminhada pelo governo federal ao Congresso Nacional.
Segundo a candidata, a proposta busca estabelecer as atribuições de União, estados e municípios e garantir mecanismos de financiamento para o enfrentamento das organizações criminosas.
“A PEC da Segurança Pública foi enviada pelo nosso governo justamente para estruturar o sistema: definir o papel de cada ente da federação e garantir financiamento para o combate ao crime organizado. Sem isso, cada um empurra a responsabilidade para o outro e quem paga é a população”, disse.
Candidata defende fim das bets
Gleisi também se posicionou contra as plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets. Ela afirmou que defende o fim das apostas e, enquanto isso não ocorrer, a proibição da publicidade dessas empresas.
“Eu sou contra as bets. Eu acho que nós não podíamos ter legalizado as bets no Brasil. Infelizmente, quando nós assumimos o governo, elas estavam legalizadas e desregulamentadas. Nós temos um projeto no Congresso Nacional para acabar com as bets”, declarou.
A candidata também citou uma proposta de sua autoria para proibir a publicidade das plataformas de apostas online. Segundo Gleisi, a medida teria como objetivo reduzir os impactos do jogo sobre as famílias.
“Eu apresentei uma proposta para que a gente não faça propaganda, proíba pelo menos a propaganda de bets, como a gente tem hoje proibição de propaganda de cigarro, propaganda de bebida. Porque a bet, ela já vicia. Se você colocar propaganda, piora a situação”, afirmou.
Para Gleisi, além da restrição à publicidade, seria necessária uma campanha de conscientização sobre os riscos associados às apostas.
Críticas à extrema direita
Durante o debate, Gleisi também contestou declarações de candidatos da extrema direita que associaram os governos do PT à permissividade no combate à criminalidade.
“Os governos do PT foram os que mais combateram a criminalidade no Brasil. A PEC da Segurança Pública foi enviada pelo nosso governo justamente para estruturar o sistema”, afirmou.
A candidata também citou a proposta de legislação mais rigorosa contra organizações criminosas, que, segundo ela, já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado.
“A lei mais rigorosa contra as organizações criminosas também partiu de nós. Já foi debatida e aprovada na Câmara e está no Senado, esperando votação”, declarou.
Ao longo do debate, Gleisi buscou reforçar sua experiência no Executivo e no Legislativo e defendeu a ampliação da capacidade de articulação política do Paraná em Brasília. A candidatura ao Senado integra a disputa eleitoral de 2026 no estado.
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