Depressão é perda de interesse total pelas coisas que antes traziam prazer, diz psicóloga em Foz

marisa lobo avante 960x540 1
Foto: Reprodução

Marisa Lobo esteve no município no fim de semana para palestras e visitou projeto de autodefesa para mulheres vítimas de violência na academia Gracie Barra

A depressão não se resume à tristeza e pode atingir pessoas de diferentes idades, profissões, condições financeiras e crenças religiosas. O alerta é da psicóloga Marisa Lobo, que esteve em Foz do Iguaçu no fim de semana para participar de palestras e atividades voltadas à saúde mental.

Segundo a profissional, um dos principais sinais da depressão é a anedonia, caracterizada pela perda do interesse ou do prazer em atividades que anteriormente proporcionavam satisfação.

“A depressão é uma perda de interesse total pelas coisas que antes traziam prazer. A pessoa não sente prazer em nada”, afirmou Marisa.

A psicóloga também chama atenção para o fato de que uma pessoa deprimida nem sempre demonstra tristeza. Ela pode continuar trabalhando, convivendo socialmente, sorrindo e mantendo uma rotina aparentemente normal, inclusive nas redes sociais.

“Tristeza não é depressão. Tem gente que está sorridente e animada e tem depressão”, destacou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também diferencia a depressão das alterações comuns de humor. O transtorno pode provocar perda de interesse, alterações no sono e no apetite, cansaço, dificuldade de concentração, baixa autoestima, desesperança e pensamentos relacionados à morte.

Diálogo pode ajudar a identificar o problema

Para Marisa, o diálogo é uma das principais ferramentas para familiares e amigos que convivem com alguém que apresenta sinais de sofrimento psicológico.

Ela orienta que pessoas próximas evitem julgamentos e cobranças e priorizem o acolhimento. “Se você tem alguém depressivo na família, dê atenção, não julgue, não discrimine, converse. Você não sabe o que dizer? Simplesmente abrace. Só diga: ‘eu estou aqui’”, afirmou.

A psicóloga também defende que a depressão seja tratada com a mesma seriedade de outras doenças.

“A depressão é um assunto sério, de todo mundo. Não é frescura, não é chatice. É doença e tem que ser tratada com seriedade.”

O tratamento pode envolver psicoterapia, medicamentos ou uma combinação de abordagens, dependendo da avaliação de cada paciente. A orientação é procurar profissionais de saúde diante da persistência dos sintomas.

WhatsApp Image 2026 09 21 at 11.47.21 e1790004752205

Depressão pode atingir qualquer pessoa

Durante a passagem por Foz do Iguaçu, Marisa também abordou o preconceito de que pessoas financeiramente bem-sucedidas ou inseridas em comunidades religiosas estariam protegidas contra a depressão.

Para ela, a doença não está restrita a uma determinada condição social.

“Só porque a pessoa é bem-sucedida financeiramente ela não tem depressão? Ou só porque está na igreja não tem depressão?”, questionou.

A psicóloga explica que diferentes fatores podem estar relacionados ao desenvolvimento de um quadro depressivo, incluindo aspectos biológicos, psicológicos e situações vivenciadas ao longo da vida.

Ela também citou casos de pessoas expostas a ambientes de violência, abandono ou outras experiências traumáticas.

Prevenção ao suicídio

A saúde mental também está diretamente relacionada à prevenção do suicídio. Segundo a OMS, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, e transtornos mentais, incluindo a depressão, estão entre os fatores associados ao risco.

Marisa afirma que a perda da esperança pode ser um elemento importante nos casos mais graves.

“Quando a pessoa perde a esperança, ela perde um objetivo, uma meta. Quando você resgata e traz a esperança, muda a vida”, disse.

A psicóloga orienta que mudanças persistentes de comportamento, isolamento, perda de interesse pelas atividades, desesperança ou falas relacionadas à própria morte sejam levadas a sério.

Em situações de risco imediato, a recomendação é procurar atendimento de emergência ou um serviço de saúde.

Saúde mental em Foz do Iguaçu

O tema também tem relevância no município. Um estudo epidemiológico sobre a mortalidade em Foz do Iguaçu registrou 342 óbitos por suicídio entre 1996 e 2020.

Para Marisa, o enfrentamento dos problemas relacionados à saúde mental exige uma rede de proteção que envolva família, profissionais de saúde, escolas, locais de trabalho, comunidades e instituições.

“Temos que trabalhar em redes de colaboração e de proteção”, afirmou.

A psicóloga atua com saúde mental em diferentes fases da vida, da infância à terceira idade, e também desenvolve trabalhos específicos voltados à saúde mental das mulheres.

Projeto atende mulheres vítimas de violência

Durante a visita a Foz do Iguaçu, Marisa Lobo também esteve na academia Gracie Barra, na Avenida República Argentina, onde acompanha um projeto de autodefesa destinado a mulheres vítimas de violência.

A iniciativa oferece treinamento de jiu-jitsu e, segundo a psicóloga, também busca proporcionar apoio psicológico às participantes, inclusive por meio de atendimento on-line.

Marisa afirma que apadrinha o projeto há algum tempo e que a proposta une a preparação para situações de violência ao fortalecimento emocional das mulheres.

A psicóloga já participou anteriormente de audiências públicas, palestras e seminários em Foz do Iguaçu e retornou ao município neste fim de semana para novas atividades.

Crianças e adolescentes também preocupam

Outro tema abordado durante as palestras foi a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos nocivos na internet.

Marisa alerta para a necessidade de acompanhamento dos pais e responsáveis sobre o que os filhos acessam, além do estabelecimento de limites para o tempo de uso de celulares, computadores e jogos.

Segundo ela, conteúdos que incentivam autolesão, desafios perigosos e comportamentos suicidas podem representar riscos especialmente para crianças e adolescentes.

A preocupação também envolve outros tipos de violência no ambiente virtual, como o aliciamento e a exploração sexual de menores.

Esporte também pode fazer parte do tratamento

A atividade física foi outro tema abordado pela psicóloga. Segundo Marisa, o esporte pode contribuir para o cuidado com a saúde mental, embora o excesso também possa ser prejudicial.

Ela recomenda que pessoas que enfrentam depressão procurem acompanhamento profissional e, dentro de suas condições, mantenham atividades que possam contribuir para o bem-estar, como caminhadas, exercícios físicos e convivência social.

Para a psicóloga, entretanto, o mais importante é não enfrentar a doença sozinho.

“A depressão tem cura, tem tratamento. Você consegue se livrar, sim”, afirmou.

A OMS também recomenda a busca por ajuda profissional e destaca que existem tratamentos eficazes para a depressão.


Confira notícias de Foz do Iguaçu no Facebook do Diário de Foz e no Instagram do Diário de Foz