Data celebrada em 5 de outubro chama atenção para a biodiversidade e para o uso de plataformas digitais na popularização da observação de aves
Celebrado em 5 de outubro, o Dia da Ave chama atenção para a diversidade de espécies e para a importância da conservação da biodiversidade. A data também destaca o crescimento da observação de aves, atividade que tem conquistado novos públicos com o apoio de aplicativos, redes sociais e plataformas de ciência participativa.
No Brasil, o WikiAves, comunidade dedicada à observação de aves e à ciência cidadã, reúne mais de 57 mil observadores e 6,6 milhões de registros fotográficos e sonoros. Somente em 2025, cerca de 3,7 mil novos usuários passaram a integrar a plataforma.
Embora não exista uma estimativa oficial sobre o número de praticantes no país, o Censo Brasileiro de Observação de Aves estima que esse público possa variar entre 40 mil e 300 mil pessoas, de acordo com os critérios utilizados para definir um observador. Segundo o levantamento, 90% dos participantes relacionam a atividade à conexão com a natureza, enquanto 74% apontam entre as motivações o interesse em ajudar outras pessoas a conhecer as aves.
Para a coordenadora de Educação para Conservação do Parque das Aves, Gabriela Possato, a atividade pode contribuir para aproximar as pessoas da biodiversidade.
“As aves estão presentes no nosso cotidiano de muitas formas, mesmo quando não percebemos. A observação de aves nos convida justamente a prestar mais atenção a essa diversidade, reconhecer espécies, perceber comportamentos e criar uma relação mais próxima com a natureza”, afirma.
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Observação de aves ganha espaço entre jovens
A expansão da atividade também está relacionada ao uso de ferramentas digitais. Aplicativos de identificação, plataformas de ciência cidadã e comunidades virtuais permitem registrar fotografias e vocalizações, identificar espécies, organizar listas e compartilhar observações.
Nos Estados Unidos, dados do U.S. Fish & Wildlife Service referentes a 2022 apontam que 96 milhões de pessoas com 16 anos ou mais praticavam a observação de aves, o equivalente a 37% da população norte-americana nessa faixa etária.
O uso de aplicativos também cresceu no período. Dados do Cornell Lab of Ornithology indicam que o Merlin Bird ID passou de aproximadamente 300 mil usuários ativos nos Estados Unidos, em março de 2020, para mais de 1,5 milhão em março de 2023.
O interesse entre públicos mais jovens também tem sido observado. Em 2025, uma reportagem da ABC News da Austrália mostrou jovens da chamada Geração Z utilizando plataformas como eBird e Birdata para registrar espécies, acompanhar descobertas e compartilhar observações.
Parque das Aves oferece contato com espécies da Mata Atlântica
Em Foz do Iguaçu, o Parque das Aves oferece uma experiência de observação de diferentes espécies em uma área de aproximadamente dois quilômetros de trilhas em meio à Mata Atlântica.
O percurso é pavimentado, contínuo e sem barreiras, com estrutura para a circulação de cadeiras de rodas, carrinhos de bebê e pessoas com mobilidade reduzida. O espaço também conta com áreas de descanso, banheiros acessíveis, fraldários e bebedouros com água potável.
Durante a visita, o público pode observar de perto características como cores, vocalizações, alimentação, formas de voo e comportamentos das aves. Entre os espaços de imersão estão o Viveiro das Araras e o Viveiro O Mundo dos Tucanos.
“A observação começa pela curiosidade e pela atenção aos detalhes. Quando aprendemos a perceber uma vocalização, uma cor ou um comportamento, começamos também a enxergar as aves de outra maneira”, explica Gabriela Possato.
Campanha destaca conservação do mutum-do-sudeste
Como parte da programação do Dia da Ave, o Parque das Aves participa da campanha do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE) dedicada ao mutum-do-sudeste (Crax blumenbachii), espécie ameaçada de extinção associada à Mata Atlântica.
No dia 5 de outubro, das 9h às 16h, uma exposição será realizada em frente ao viveiro da espécie. A atividade apresentará informações sobre as características do mutum-do-sudeste, sua importância ecológica, as ameaças enfrentadas pela espécie e as ações desenvolvidas para sua conservação.
Segundo Gabriela Possato, a espécie exerce papel na dinâmica da Mata Atlântica, especialmente por participar da dispersão de sementes.
Complexo de Saúde Animal
O Parque das Aves também conta com o recém-inaugurado Complexo de Saúde Animal, estrutura que reúne laboratório, sala de raio-X, clínica veterinária com centro cirúrgico, nutrição animal e neonatologia.
Parte dos ambientes possui paredes de vidro voltadas para a trilha, permitindo que os visitantes acompanhem, quando a rotina das equipes e as condições dos animais permitem, parte dos procedimentos e cuidados realizados pelos profissionais.
Atualmente, mais de 1.400 animais de aproximadamente 130 espécies vivem no local. Segundo o Parque das Aves, mais da metade desses animais possui histórico relacionado a resgates.
Sobre o Parque das Aves
Localizado próximo às Cataratas do Iguaçu, o Parque das Aves mantém atividades voltadas à conservação de espécies da Mata Atlântica e ao acolhimento de animais resgatados. A instituição possui mais de 30 anos de atuação.
A estrutura inclui trilhas de visitação, espaços de imersão, áreas de alimentação e loja de souvenirs. O local também mantém o Complexo Gastronômico, com o Restaurante Sabores da Floresta, o Bistrô da Mata e o Café da Praça.
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