Relatório preliminar identifica problemas pontuais com filas, acessibilidade, falta de energia e informação aos eleitores, mas conclui que ocorrências não impediram o exercício do voto
O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 transcorreu dentro da normalidade nas localidades de fronteira acompanhadas pela Missão de Observação Eleitoral coordenada pela UNILA. A conclusão consta no Relatório Preliminar, divulgado no final da tarde deste domingo (4), a partir de dados coletados em 420 seções eleitorais.
“A observação mostrou um processo eleitoral conduzido de forma tranquila. Tivemos ocorrências pontuais, como filas, problemas de acessibilidade, falhas de energia e dificuldades de informação ao eleitor, mas elas não comprometeram o exercício do voto. Esses registros agora serão analisados de forma mais detalhada e vão subsidiar as recomendações que serão apresentadas no relatório final”, afirma o professor Lucas Ribeiro Mesquita, coordenador da Missão de Observação Eleitoral.
Credenciada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a missão reuniu 67 observadores distribuídos em 19 localidades de cinco estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Roraima e Amapá. A iniciativa é coordenada pela UNILA, por meio do Observatório de Democracia do Núcleo de Integração Regional e Democracia, em parceria com outras sete universidades e institutos federais.
De acordo com o relatório, a abertura das seções ocorreu dentro do previsto na grande maioria dos locais acompanhados. Algumas urnas precisaram ser substituídas e determinadas seções tiveram interrupções temporárias, principalmente por falta de energia, travamento dos equipamentos ou realocação de seção. Mas, segundo o relatório, nenhuma dessas situações impediu o exercício do voto.
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As filas estão entre os problemas identificados pela equipe de observadores eleitorais. Registros de maior demora se concentraram entre às 9h e 14h e diminuíram após às 15h. Em alguns locais, a situação foi agravada pela concentração de mais de uma seção eleitoral na mesma sala, o que aumentou o tempo de espera. A missão também verificou casos em que a fila preferencial não foi respeitada.
As condições climáticas afetaram principalmente o estado do Mato Grosso do Sul, onde houve registros de chuva intensa, dificultando o deslocamento dos eleitores e a espera em áreas externas dos locais de votação. Falhas de energia foram observadas no Mato Grosso do Sul e em Foz do Iguaçu. Ainda assim, segundo a missão, não houve situações em que a chuva ou a falta de energia tenham impedido a votação.
Situações de regiões de fronteira
A missão também registrou situações relacionadas às características dos territórios fronteiriços, como casos pontuais de barreiras linguísticas entre eleitores e mesários. Algumas seções contavam com materiais em outros idiomas, tradutores e auxiliares.
No Consulado do Brasil em Ciudad del Este, no Paraguai, houve casos de eleitores que apresentaram carteira de identidade brasileira antiga e documento paraguaio atualizado e precisaram da autorização da presidência da seção para votar. Também foram registrados episódios relacionados à lentidão no controle migratório.
A maior parte das seções acompanhadas encerrou a votação no horário previsto. A equipe recebeu, no entanto, relatos de eleitores que estavam no local de votação às 17h e não conseguiram votar em Macapá (AP). No Mato Grosso do Sul, houve registro de fechamento antecipado de uma seção devido à queda de energia.

Recomendações
A partir dos primeiros dados coletados, a missão apresentou cinco recomendações preliminares à Justiça Eleitoral. Entre elas estão a revisão da prática de concentrar diversas seções eleitorais em uma mesma sala em locais de grande fluxo; o reforço da sinalização e da comunicação sobre mudanças de local e de seção; e a adoção de medidas de contingência para falta de energia e proteção contra chuva. O documento também recomenda reforçar a orientação das mesas sobre os procedimentos de encerramento às 17h, além de ampliar as condições de acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida.
Com a realização do segundo turno, marcado para 25 de outubro, a missão retomará o protocolo de observação. Após a conclusão do processo eleitoral, será elaborado o relatório final, com análise detalhada dos dados e recomendações ao TSE e aos Tribunais Regionais Eleitorais.
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