Intervenção em uma das maiores instituições financeiras paraguaias, que atende cerca de 3 milhões de clientes, expõe riscos para correntistas e levanta dúvidas sobre a segurança bancária de estrangeiros que escolhem o país como novo destino
A decisão do Banco Central do Paraguai de iniciar o processo de resolução do Ueno Bank, em 3 de novembro de 2026, provocou turbulência no sistema financeiro do país e trouxe uma preocupação adicional para estrangeiros que planejam estabelecer residência no território paraguaio, especialmente brasileiros. Manifestações pelo impeachment do presidente Santiago Peña se espalham pelo país.
A medida foi adotada depois que a autoridade monetária identificou que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo exigido pela regulamentação, após ajustes em suas demonstrações financeiras. O procedimento prevê a atuação de interventores para avaliar a situação patrimonial e preservar os ativos do banco.
Com aproximadamente 3 milhões de clientes em um país de 6,1 milhões de habitantes, o Ueno tinha presença significativa na rotina financeira dos paraguaios. Após a intervenção, clientes relataram dificuldades para acessar contas, realizar pagamentos e movimentar recursos. O episódio também desencadeou filas em agências e apreensão entre correntistas.
O impacto ultrapassou o setor bancário. O Ministério Público abriu investigações sobre possíveis irregularidades, enquanto a crise provocou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e aumentou a pressão política sobre o governo de Santiago Peña, que já havia tido participação societária no grupo controlador do banco.
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Para os brasileiros que estão de mudança para o Paraguai, o caso representa um alerta sobre a importância de avaliar com cuidado onde manter reservas financeiras, salários, investimentos e recursos destinados à instalação no país.

Pelas regras paraguaias, os depósitos contam com garantia de até 75 salários mínimos mensais por pessoa e por instituição financeira. Na data da intervenção, o limite correspondia a 228,3 milhões de guaranis. O governo também anunciou medidas para agilizar a restituição de valores aos clientes afetados. Entretanto, depósitos acima da cobertura podem enfrentar demora e incerteza quanto à recuperação integral.
Isso não significa que o sistema bancário paraguaio esteja em colapso. O próprio Banco Central afirma que a situação do Ueno é pontual e não representa uma crise generalizada. Ainda assim, o episódio demonstra que escolher um banco apenas pela facilidade de abertura de conta, pelos benefícios oferecidos ou pela popularidade de seus serviços pode representar um risco.
Para quem pretende morar no país, a recomendação é diversificar as instituições financeiras, evitar concentrar todo o patrimônio em uma única conta e conhecer as regras locais de proteção aos depósitos. Também é importante manter uma reserva de emergência com acesso independente do banco utilizado no cotidiano.
O Paraguai continua sendo um destino de interesse para brasileiros, mas a crise do Ueno acrescenta um novo elemento à decisão de mudança: além de avaliar impostos, custo de vida e oportunidades de negócios, será cada vez mais importante observar a solidez das instituições financeiras escolhidas para administrar o patrimônio no país.
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