Reajuste passa a valer no dia 4 de dezembro e eleva em R$ 44 o gasto mensal de quem utiliza duas passagens por dia
A tarifa do transporte coletivo de Foz do Iguaçu passará de R$ 5 para R$ 6 a partir de 4 de dezembro. O reajuste de 20% foi oficializado pelo prefeito Joaquim Silva e Luna (PL), por meio do Decreto nº 35.094, publicado no Diário Oficial do Município na quarta-feira (4). A nova tarifa será aplicada tanto aos pagamentos em dinheiro, diretamente nos ônibus, quanto aos créditos adquiridos pelo cartão eletrônico.
Segundo a administração municipal, o valor estava congelado desde 30 de junho de 2022. A atualização foi definida com base em estudo técnico do Instituto de Transportes e Trânsito de Foz do Iguaçu (Foztrans), que considerou a inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre junho de 2022 e setembro de 2026.
Impacto no orçamento dos passageiros
O reajuste representa um acréscimo de R$ 1 por viagem. Para quem utiliza duas passagens por dia, uma para ir ao trabalho ou estudo e outra para retornar, o custo diário sobe de R$ 10 para R$ 12.
Em uma simulação de 22 dias úteis por mês, o gasto passa de R$ 220 para R$ 264, o que representa R$ 44 adicionais mensais. O cálculo considera o pagamento integral das tarifas, sem descontos, gratuidades ou integração entre linhas.
Os passageiros que adquirirem créditos até 3 de dezembro poderão utilizá-los pelo valor antigo durante 30 dias, contados a partir da entrada em vigor da nova tarifa.
Prefeitura justifica reajuste por custos operacionais
A Prefeitura argumenta que a atualização busca recompor a inflação acumulada no período em que a tarifa permaneceu sem alteração e reduzir o déficit financeiro do transporte coletivo, diminuindo a necessidade de subsídios públicos para manter a operação.
Entre os fatores que influenciam os custos do sistema estão as despesas com combustível, manutenção da frota e pessoal. O modelo de remuneração da operação considera a quilometragem percorrida pelos veículos, o que significa que a variação dos custos operacionais também afeta os recursos destinados ao serviço.
De acordo com informações divulgadas pelo portal H2FOZ, os subsídios municipais destinados ao transporte coletivo devem alcançar R$ 44 milhões em 2026. Entretanto, o decreto que estabelece o reajuste não apresenta uma estimativa detalhada da economia que a medida deverá gerar aos cofres públicos nem metas vinculadas à melhoria da qualidade do serviço.
Passe estudantil também sofre alterações
Além do aumento da tarifa, a política de gratuidade estudantil passou por mudanças. O limite geral de viagens gratuitas de segunda a sexta-feira foi reduzido de quatro para duas por dia. Aos sábados, domingos e feriados, permanecem quatro viagens diárias, conforme as regras estabelecidas.
Para estudantes de cursos técnicos, profissionalizantes, superiores e programas de residência, passa a ser exigida a apresentação de extrato atualizado do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS).
As novas regras também estabelecem restrições para estudantes com vínculo empregatício, estágio remunerado ou participação em programas de residência. Nesses casos, o benefício deverá ser utilizado nos horários que não coincidam com a jornada de trabalho ou estágio.
O uso irregular do cartão poderá resultar em bloqueio do cadastro e suspensão do benefício. Em situações de vandalismo no sistema de transporte, a suspensão poderá ser de dois meses. Em caso de reincidência, o prazo aumenta para quatro meses.
Debate sobre o transporte coletivo
O reajuste ocorre em meio às discussões sobre a reformulação do sistema de transporte coletivo de Foz do Iguaçu. A proposta de uma nova concessão, apresentada anteriormente pelo município, prevê ampliação da oferta de viagens, aumento da frota e reestruturação das linhas.
O projeto apresentado pelo Foztrans prevê elevar em 69% o número de viagens nos dias úteis, ampliar a frota operacional de 98 para 108 ônibus e aumentar o número de linhas de 34 para 41. A proposta também inclui veículos com ar-condicionado e mudanças na organização dos itinerários.
A nova concessão deverá ter duração de 20 anos. Enquanto isso, o serviço permanece sob contrato emergencial, com previsão de encerramento em março de 2027.
Com o reajuste da tarifa e as mudanças nas regras de gratuidade, o transporte coletivo volta ao centro do debate sobre mobilidade urbana, acesso aos serviços públicos e o impacto das despesas cotidianas no orçamento da população.
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