Bacalhau fica até 110% mais caro em Foz, enquanto tilápia tem queda de quase 45%, aponta pesquisa da UNILA

Dados do Cepecon mostram variações expressivas nos preços de produtos típicos da Páscoa e impactos no orçamento das famílias

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Preço do bacalhau disparou em Foz do Iguaçu (Foto: Divulgação/PMU)

Quem pretende manter as tradições da Páscoa em 2026 vai encontrar diferenças significativas nos preços dos produtos. Levantamento do Centro de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Cepecon), da UNILA, indica que o bacalhau está até 110% mais caro em Foz do Iguaçu, enquanto a tilápia teve redução de quase 45%.

O Cepecon apontou aumento e redução expressivos nos preços dos produtos típicos em relação ao período de 2025. A pesquisa relata alguns destaques negativos para o bolso do consumidor, como o chocolate ao leite de 1 quilo, que disparou 58,26%, e as frutas cristalizadas, que saltaram 50,63%, além da gota de chocolate, que subiu 26,83%.

O alívio veio com a redução dos preços das tradicionais caixas de bombom, com quedas de até 16,08%, e também com os ajustes mais modestos nos produtos para a criançada: os ovos de chocolate voltados ao público infantil apresentaram aumento máximo de 6,38%.

Outro item tradicional da Semana Santa, o bacalhau em posta, subiu 110,70% em relação ao ano passado. Em contrapartida, a tilápia surge como alternativa mais econômica para esta Páscoa, com queda de 44,89%. O azeite de oliva, com redução de 31,69%, também aparece bem mais barato do que em 2025.

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O levantamento realizado pelo Centro de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Cepecon), da UNILA, contribui para que a população tenha acesso à informação acerca das variações de preços de produtos comuns do orçamento familiar. Com isso, as famílias podem verificar quais produtos contribuíram para o aumento/redução do índice geral de preços e modificar sua cesta de consumo, escolhendo itens que estão mais baratos.

Cesta básica acumula alta de 7,4% no primeiro trimestre
Além dos itens sazonais, o boletim de março do IPC-Foz revelou que a cesta básica acumula inflação de 7,4% entre janeiro e março de 2026. Tubérculos, raízes e legumes foram os grupos de produtos com variação de 39,4% no período, com destaque para a batata-inglesa, que encareceu 44,3% no último trimestre.

Leite e derivados tiveram aumento de 30,7%, e a alface, 13%, enquanto pescados, aves e ovos registraram quedas em torno de 19%. Segundo a pesquisa, a alta no grupo de tubérculos, raízes e legumes foi impulsionada principalmente pelas fortes chuvas em polos importantes do Sul do país, que dificultaram o ritmo de colheita, reduzindo o volume do produto enviado ao mercado.

As proteínas de origem animal apresentaram aumento médio de 3,8%. Os maiores impactos vieram do contrafilé (18,9%) e do coxão mole (16,4%). Os cortes de músculo e lagarto ficaram mais baratos, 14,3% e 19,6%, respectivamente.

Já os ovos acabam se consolidando como a opção proteica mais procurada. O ovo de galinha sofreu um reajuste de 16,9% no trimestre, motivado por uma combinação de fatores: além do pico de demanda gerado pela tradição religiosa, as altas temperaturas do início do ano causaram estresse térmico nas aves comerciais.

Esse clima adverso resultou no aumento da mortalidade em algumas regiões e, principalmente, na queda de produtividade e na diminuição do tamanho dos ovos, limitando severamente a oferta justamente no momento de maior consumo.

O IPC-Foz é produzido mensalmente pelo Cepecon com base na metodologia do IBGE e foca em famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos. A referência nessa faixa de renda se deve ao fato de que essa população é mais sensível às variações de preços.

Com isso, um indicador baseado nesse consumo populacional reflete com maior precisão qualquer alteração nos preços. A coleta de dados é feita em 12 pontos de venda da cidade e conta com o trabalho de pesquisadores voluntários da UNILA.


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