Começa o censo binacional de onças-pintadas de 2026 no Corredor Verde Brasil–Argentina

Monitoramento histórico, realizado desde 2003, busca aprofundar conhecimento sobre a população da espécie e sua conservação na região do Parque Nacional do Iguaçu

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No Corredor Verde, iniciativas continuadas de conservação, como o Projeto Onças do Iguaçu, e esforços de longo prazo no combate à caça ilegal ajudam a explicar a manutenção de uma base de presas capaz de sustentar populações viáveis do felino (Foto: Projeto Onças do Iguaçu)

O 14º Censo Binacional de Onças-Pintadas terá início em 2026 no Corredor Verde Brasil–Argentina, marcando mais um esforço de grande escala para acompanhar a população dessa espécie emblemática da Mata Atlântica.

Desde 2003, censos bienais coordenados pelo Proyecto Yaguareté, na Argentina, e pelo Projeto Onças do Iguaçu, no Brasil, vêm monitorando a população de onças-pintadas na região, com apoio de diversas instituições parceiras. O trabalho é considerado referência para a conservação da espécie no sul da Mata Atlântica.

O último censo, realizado em 2024, estimou entre 64 e 110 onças-pintadas em todo o Corredor Verde, sendo de 16 a 33 indivíduos no Parque Nacional do Iguaçu, no lado brasileiro. Os estudos anteriores, entre 2005 e 2018, indicaram crescimento populacional consistente, enquanto os censos de 2020 e 2022 apontaram estabilidade da população.

Monitoramento ampliado em 2026

Neste ano, os dois países realizarão uma amostragem simultânea de três meses durante o segundo semestre, cobrindo áreas-chave de ocorrência da espécie em ambos os lados da fronteira. Além disso, será realizado um monitoramento contínuo ao longo de todo o ano, com a instalação de 90 pontos de armadilhas fotográficas no Parque Nacional do Iguaçu e 170 estações de monitoramento na Argentina.

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Os dados obtidos permitirão análises detalhadas sobre a densidade, dinâmica populacional e possíveis variações temporais da espécie. Modelos de análise distintos serão aplicados para comparar resultados, avaliar diferenças entre estimativas e verificar sua significância estatística, fornecendo subsídios científicos essenciais para a gestão e conservação da onça-pintada no Corredor Verde.

Indicador de saúde ambiental

O lema “Onde tem onça, tem vida” acompanha os censos desde sua criação, destacando a importância do predador de topo de cadeia como indicador da qualidade ambiental. A presença da onça-pintada reflete a integridade dos ecossistemas e a disponibilidade de presas e habitats conservados.

“Temos uma grande expectativa e muito orgulho desse trabalho conjunto entre dois países irmãos, que se unem para conservar uma mesma população de onças-pintadas. São dois projetos e muitos parceiros somando esforços para proteger essa espécie magnífica em um de seus limites de distribuição mundial”, afirmam os coordenadores dos Projetos Onças do Iguaçu e Yaguareté.

Sobre os projetos

O Projeto Onças do Iguaçu, iniciativa do ICMBio, é desenvolvido em parceria com o Parque Nacional do Iguaçu e o Instituto Pró-Carnívoros, contando com diversos parceiros e patrocinadores, incluindo WWF Brasil e Fundação Beauval Nature.

O Proyecto Yaguareté é um programa de pesquisa e conservação da Associação Civil Centro de Investigaciones del Bosque Atlántico (CeIBA), liderado por pesquisadores do CONICET, com foco na proteção da onça-pintada e seus habitats no norte da Argentina e países vizinhos.

Assista abaixo vídeos enviados pelo Projeto Onças do Iguaçu

Mais informações: www.ceiba.org.ar | www.proyectoyaguarete.org.ar


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