As obras de extensão da pista de pousos e decolagens do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu foram concluídas e inauguradas em 2021 com uma grande festa na presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e autoridades federais, estaduais e do município.
No entanto, quase 3 anos após a cerimônia cheia de pompa, o trecho extra da pista nunca foi utilizado, ou seja, nem uma aeronave pousou ou decolou sobre o pavimento asfáltico concluído em boa parte com recursos da Itaipu Binacional.
Para ser utilizada, a extensão da pista precisa ser homologada segundo os padrões da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), cujos requisitos estão longe de serem alcançados.
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Na última semana, a concessionária CCR Aeroportos, que assumiu a gestão em 2022, divulgou uma nota informando que vai investir R$ 20 milhões para executar os procedimentos.
Mas afinal, o que falta para a homologação e finalmente o trecho possa ser utilizado, permitindo ao terminal aeroportuário receber aeronaves de grande porte e capacidade para voos diretos à Europa e aos Estados Unidos?
Na nota, a concessionária informou onde serão aplicados os recursos:
- readequações e implantação de drenagem de pavimento
- sinalizações horizontais
- ajustes de terraplanagem
- adequações de equipamentos para o auxílio da navegação aérea
- tratamento de obstáculos, entre outros atributos necessários
De quem é?
Com a licitação e a não execução das obras necessárias para a homologação, ficou uma dúvida de quem é afinal a responsabilidade pelas obras.
A CCR Aeroportos diz que constava nos documentos que embasaram a licitação, a conclusão das obras da pista de pouso e decolagem do aeroporto de Foz do Iguaçu antes do início da concessão era de responsabilidade da Infraero.
Assim, não há previsão contratual para que a CCR Aeroportos execute as referidas obras e, da mesma, a concessionária não esperava dispender valores para este investimento.
A empresa informa que chegou a manter diálogo com a Infraero, mas não houve avanços para que as pendências relacionadas à extensão da pista fossem solucionadas.
“Diante da impossibilidade de receber voos comerciais e cargueiros de maiores proporções, o que implica prejuízos ao setor produtivo de Foz do Iguaçu e ao do Paraná, a CCR Aeroportos decidiu concluir as obras, instalar os equipamentos necessários e realizar o processo de homologação da pista junto à ANAC”, diz a nota.
A Infraero diz que entregou a pista pronta e que a responsabilidade para colocá-la em funcionamento é da concessionária responsável pela operação.
Contexto
Com a extensão em 664 metros, a Pista de Pousos e Decolagens do Aeroporto de Foz do Iguaçu passará de 2.194 metros para 2.858 metros, sendo a segunda maior da região Sul.
Ela estará em operação plena a partir de março de 2025, já que o processo de homologação leva 12 meses.
O investimento previsto é de cerca de R$ 20 milhões e, futuramente, a empresa buscará reparação junto aos órgãos responsáveis.