Dia Mundial da Água: a importância da segurança hídrica para um futuro possível

Portanto, este conflito não se limita à segurança energética (ou à estabilidade do dólar). Ele envolve igualmente a segurança hídrica e alimentar — pilares críticos para qualquer nação

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Faixa de proteção e reservatório da usina de Itaipu (Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional)

Por Carlos Carboni*

O estreito de Ormuz, epicentro estratégico da guerra que atualmente envolve Israel, Estados Unidos e Irã, não é apenas rota para cerca de 20% a 30% do petróleo mundial. Trata-se também de via essencial para o transporte de água e alimentos em uma das regiões mais áridas do planeta, cuja sobrevivência depende intensamente da importação desses recursos.

Portanto, este conflito não se limita à segurança energética (ou à estabilidade do dólar). Ele envolve igualmente a segurança hídrica e alimentar — pilares críticos para qualquer nação, independentemente de estar em guerra. O debate ganha relevância diante das mudanças climáticas, que a ciência alerta há anos ameaçarem a agricultura e o fornecimento de água potável, inclusive em países naturalmente abundantes, como o Brasil.

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Infográfico: Divulgação/Itaipu Binacional

Neste 22 de março, Dia Mundial da Água, torna-se urgente refletirmos sobre como governos, academia, empresas e sociedade civil podem — independentemente de ideologias ou classes sociais — fortalecer a resiliência e a adaptação a essas transformações já em curso, que colocam em risco a segurança hídrica e alimentar do País.

A Itaipu Binacional reconhece seu papel como estrutura crítica para a segurança energética do Brasil e do Paraguai. Implantada em um ponto estratégico graças à abundância hídrica do Rio Paraná, a usina já foi responsável por suprir cerca de 25% da energia do Brasil e, hoje, com a expansão de outras fontes e do parque gerador nacional, responde por aproximadamente 8%.

Nos últimos anos, períodos prolongados de estiagem e alterações no regime de chuvas da Bacia do Paraná reduziram o volume de água que chega ao reservatório. Isso implica não apenas menor capacidade de geração, mas também restrições ao abastecimento, à agricultura, à pesca e a outros usos essenciais.

Diante desse cenário, Itaipu atua em consonância com as políticas públicas do governo brasileiro, promovendo ações de desenvolvimento territorial que demonstram a necessidade de integrar segurança energética, hídrica e alimentar — sendo a água o elemento estruturante para as demais. 

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Para fortalecer a disponibilidade hídrica regional, a empresa protege mais de 100 mil hectares de Mata Atlântica nas margens do reservatório. Nas áreas vizinhas, importantes polos de produção de alimentos, fomenta práticas agropecuárias sustentáveis que ampliam a infiltração de água no solo, reduzem sedimentos e nutrientes nos cursos d’água e aumentam a resiliência das lavouras em períodos de seca.

Em 255 municípios do Paraná e do Mato Grosso do Sul, a empresa apoia a estruturação da reciclagem em parceria com consórcios municipais e associações de catadores, evitando que toneladas de resíduos contaminem rios e solos. Somente nas localidades próximas à usina, onde as Unidades de Valorização de Recicláveis (URVs) são monitoradas desde 2018, mais de 200 mil toneladas de materiais foram processadas.

Essas iniciativas se somam ao monitoramento permanente do reservatório, das áreas protegidas e dos aquíferos subterrâneos — ações fundamentais não apenas para medir resultados, mas para orientar decisões e subsidiar políticas públicas alinhadas a uma transição energética justa.

O objetivo é assegurar um território sustentável, em que o uso da água, do solo e dos recursos naturais, especialmente para geração de energia, ocorra com respeito ao meio ambiente e equidade social.

* Carlos Carboni é diretor de Coordenação da Itaipu


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