“Eu sou mãe. Ele é meu filho. Nosso vínculo não precisa de autorização, explicação ou suspeita. Racismo não é só uma ofensa direta. Às vezes, ele vem em forma de desconfiança.”
Com esta frase, Victória Fernandes abre o relato de um suposto crime que teria ocorrido em hotel às margens da BR-469, a Rodovia das Cataratas, principal corredor turístico de Foz do Iguaçu.
Em postagem nas redes sociais, Victória relata, em foto ao lado do filho, que chegou no estabelecimento para se hospedar, momento em que foi cobrada da autorização do pai, uma vez que a criança é branca, e ela negra.
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“E isso também machuca. Por mim, por ele, e por todas as mães negras que passam por isso todos os dias”, completaou a mensagem de Victória Fernandes.
O caso irá para as hostes judiciais. Uma queixa crime será encaminhada ao Fórum de Justiça de Foz do Iguaçu, assim que o hotel responder a intimação extrajudicial.
O documento foi entregue ao hotel nesta quarta-feira (21), pelos advogados Wanderson Thiago da Rosa, Thiago de Almeida Coelho, Alexandre Geweher Schmit e Davi Pereira Marquadt.
“Uma mãe foi se hospedar em um hotel com seu filho. Foi impedida. O motivo? A criança era “muito branca” e o hotel exigiu a presença do pai ou uma autorização”, informou Wanderson Rosa, em vídeo no Instagram, mostrando áudio do momento da intimação.
“Não existe lei. Não existe norma. Não existe justificativa. O que existe é discriminação racial travestida de protocolo interno”, ressalta o jurista, que listou outros exemplos de discriminação racial.
“Quando alguém olha para uma mãe e diz: “Vai ser só dessa vez… da próxima traga o pai”, o que está sendo questionado não é um documento. É a dignidade. É a maternidade. É a cor”.
No registro, Wanderson afirma ainda deixar claro que “não importa se o hotel é de luxo ou simples, grande rede ou pequeno estabelecimento. Não importa o status, o nome ou o poder econômico”.
A denúncia tem como base o depoimento de pelo menos cinco testemunhas, segundo o advogado – Victoria Tayna Borges da Silvam, Emanuel Borges Fernandes, Ana Lara Borges da Silva, Sandra Raquel Pereira da Silva e Geraldo Borges da Silva.
Protocolo
Trabalhadores da rede hoteleira informaram ao portal que o procedimento é padrão e segue as previstas no artigo 82 do Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA – Lei nº 8069/90.
Como o nome do hotel não foi citado, a reportagem não teve como entrar em contato para saber a versão do estabelecimento. O espaço segue aberto!
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