Após uma década de inatividade, o bairro Morumbi, um dos mais populosos de Foz do Iguaçu com aproximadamente 60 mil habitantes, volta a se organizar coletivamente e estabelece um novo mapa de prioridades que promete reposicionar a região no debate urbano do município.
A reativação da Associação de Moradores, agora sob a presidência do advogado e empresário Maurício Castilha, com quase 40 anos de atuação no bairro, não apenas encerra um período de silêncio institucional, mas inaugura uma fase marcada por planejamento, articulação e cobrança por melhorias estruturais.

Mais do que retomar uma entidade formal, o movimento simboliza a reconstrução da voz coletiva de uma comunidade. Ao longo dos últimos anos, a ausência de representação organizada dificultou o diálogo com o poder público e atrasou o avanço de demandas históricas.
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Agora, a nova diretoria assume com uma pauta clara: transformar reivindicações em prioridades efetivas, garante Maurício Castilha. Entre os principais eixos definidos estão segurança, infraestrutura urbana e desenvolvimento econômico.
Gestão participativa
A proposta da associação é atuar como elo entre moradores e poder público, sem caráter executor, mas com forte capacidade de articulação e pressão institucional. A criação de conselhos temáticos — empresarial, feminino e jovem — e a formação de um grupo com cerca de 50 conselheiros indicam um modelo de gestão participativa, que busca ouvir diferentes setores da comunidade.
A lista de demandas revela o tamanho dos desafios. Uma das situações mais urgentes é a da capela mortuária do bairro, considerada inadequada para atender a população em momentos de luto.
Problemas estruturais, falta de segurança e condições precárias transformaram o espaço em símbolo do abandono. A associação pretende cobrar uma reestruturação completa, defendendo que o Morumbi tenha equipamentos públicos compatíveis com sua dimensão.
Públicos e ociosos
Outro ponto estratégico é a ocupação de espaços públicos ociosos. O antigo módulo policial, por exemplo, foi solicitado como futura sede da entidade, enquanto o prédio desativado do SESI desponta como oportunidade para a criação de um centro comunitário com foco em qualificação profissional, eventos culturais e capacitação empresarial.
A proposta dialoga diretamente com uma das prioridades do mandato da primeira diretoria após a reativação da entidade: preparar jovens e trabalhadores para o mercado, especialmente em uma região próxima a polos industriais.
A mobilidade urbana também aparece como eixo central. A revitalização da Avenida Mário Filho, considerada a espinha dorsal do bairro, e o prolongamento da Avenida Alemanha estão entre os projetos em discussão.
Além disso, intervenções pontuais, como a instalação de um semáforo em cruzamentos críticos, são tratadas como medidas imediatas para aumentar a segurança viária.

Proteção ambiental
No campo ambiental, a associação defende a criação de um parque na região da Rua Jules Rimet, onde há nascentes e áreas verdes ameaçadas. A iniciativa une preservação ambiental e solução de problemas urbanos, como alagamentos, reforçando a ideia de que planejamento sustentável também é prioridade.
A retomada da associação ocorre em um momento decisivo, em que o crescimento desordenado e a falta de infraestrutura começam a pressionar ainda mais os serviços públicos.
Questões como a situação do Residencial Duque de Caxias — com problemas sanitários e estruturas abandonadas — e a construção de novos empreendimentos habitacionais sem estudos de impacto urbano evidenciam a necessidade de organização comunitária ativa.
Construção coletiva
Nesse contexto, a associação surge como instrumento de equilíbrio, capaz de questionar decisões, propor alternativas e defender os interesses coletivos. A mobilização recente, que reuniu moradores, lideranças e autoridades na cerimônia de posse da nova diretoria, demonstra que há disposição para reconstruir o associativismo no bairro.
Ao estabelecer prioridades claras e estimular a participação popular, o Morumbi dá um passo importante para deixar para trás o período de estagnação. A expectativa agora é que a nova fase seja marcada não apenas por reivindicações, mas por resultados concretos — fruto de uma comunidade que volta a se reconhecer como protagonista do próprio desenvolvimento.
Nova diretoria e autoridades presentes
Diretoria da Associação de Moradores do Morumbi
- Maurício Castilha – Presidente
- Valdomiro Rodrigues de Freitas – Vice-presidente
- Diones Marcos Martins – 1º Tesoureiro
- Marcelino de Oliveira – 2º Tesoureiro
- Silvio Marques Garcia – 1º Secretário
- Viviane Santana Ferreira Martins – 2ª Secretária
- Valdecir Marques da Rosa – Presidente do Conselho Fiscal
Autoridades presentes na solenidade
- Paulo Debrito – Presidente da Câmara Municipal
- Evandro Ferreira – Vereador
- Dr. Ranieri Marchioro – Vereador
- Edinardo Aguiar – Secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Agricultura
- Johnys Freitas – Secretário de Meio Ambiente
- Batatinha – Deputado estadual
- Representantes das forças de segurança
- Lideranças comunitárias, empresários e imprensa local
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