A Direção Nacional de Transportes do Paraguai (DINATRAN) anunciou a liberação de uma nova área de estacionamento destinada a caminhões de carga nas proximidades da Ponte da Integração, ligação estratégica entre Paraguai e Brasil. O espaço está localizado dentro do Terminal de Carga da cidade e pertence à Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP).
Segundo o comunicado oficial, a iniciativa tem como objetivo principal reduzir o caos no trânsito da região fronteiriça, provocado pelo estacionamento irregular de caminhões de grande porte ao longo do acostamento da rodovia. Moradores relatam que a prática recorrente representa risco constante de acidentes e compromete a fluidez do tráfego em um dos principais corredores logísticos do departamento.
O uso do estacionamento será gratuito até 31 de janeiro de 2026, período definido como fase de transição para que transportadoras e motoristas se adaptem à nova logística. A partir de 1º de fevereiro, será cobrada uma taxa de 10.000 guaranis, acrescida de IVA, pela utilização do espaço. A DINATRAN e a ANNP reforçaram o pedido para que sindicatos do setor e caminhoneiros façam uso da estrutura, colaborando com a organização do tráfego em um ponto considerado estratégico para o comércio internacional.
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Longa espera e denúncias
Apesar da medida anunciada no lado paraguaio, a situação dos caminhoneiros segue crítica na fronteira. Enquanto no Brasil permanece o impasse sobre o trânsito de caminhões pesados pela nova rodovia, motoristas denunciam esperas que variam de dois a cinco dias para atravessar a Ponte da Integração.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Foz do Iguaçu e Região (SITRO-FI), a categoria “não suporta mais a situação degradante enfrentada diariamente” na fronteira entre os dois países. Em nota, a entidade afirma que os caminhoneiros — inclusive os de veículos vazios, atualmente os únicos autorizados a trafegar pela ponte — permanecem por dias em filas sem qualquer tipo de infraestrutura.
“Não há banheiros, não há segurança, não há estrutura mínima para permanência prolongada. O que existe é descaso, omissão e falta de respeito com homens e mulheres que garantem o abastecimento, a produção e a economia dos países”, diz o comunicado.
Segundo o sindicato, a realidade enfrentada fere a dignidade humana, compromete a saúde física e mental dos trabalhadores e expõe a categoria a riscos constantes. “É inadmissível que, em pleno século XXI, a logística internacional seja sustentada à custa da exploração e do abandono de quem está na ponta do sistema”, afirma a entidade.
O presidente do SITRO-FI, Rodrigo Andrade de Souza, cobra providências imediatas dos órgãos competentes do Brasil e do Paraguai, com medidas urgentes que garantam condições mínimas de higiene e segurança, além de critérios claros e transparentes para a travessia. “Não se trata de privilégio, mas de dignidade, respeito e justiça. Os caminhoneiros e caminhoneiras não vão mais aceitar essa situação”, conclui.
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