PGR pede prisão preventiva de Léo Índio, sobrinho de Bolsonaro, após fuga para Puerto Iguazú, na Argentina

Réu por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, Leonardo Rodrigues de Jesus é primo dos três filhos mais velhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
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Foto: Reprodução

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, encaminhou nesta terça-feira (1º de maio) ao Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido para a decretação da prisão preventiva de Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como Léo Índio. Réu por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, ele é primo dos três filhos mais velhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e fugiu para Puerto Iguazú, na Argentina, alegando receio de ser preso no Brasil.

No requerimento enviado à Corte, Gonet argumenta que a fuga configura descumprimento de medidas cautelares impostas pelo STF, como a determinação de cancelamento dos passaportes do réu em janeiro de 2023. Apesar dessa restrição, Léo Índio conseguiu entrar na Argentina, pela fronteira de Foz do Iguaçu, utilizando apenas um documento de identidade, o que é permitido no âmbito do Mercosul.

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Nas últimas eleições, em outubro de 2024, Léo Índio foi candidato a vereador em Cascavel, distante 140 quilômetros de Foz do Iguaçu, recebendo 739 votos, o correspondente a 0,45% dos votos válidos para o legislativo local.

Sem alternativas

Para o procurador-geral, a evasão demonstra a insuficiência das medidas alternativas e um desrespeito às decisões judiciais. No parecer, ele sustenta que a prisão preventiva é necessária para garantir a aplicação da lei, conforme previsto no artigo 312 do Código de Processo Penal.

A fuga de Léo Índio para o país vizinho foi confirmada pelo próprio em um vídeo publicado nas redes sociais. Na gravação, afirmou estar buscando asilo político para preservar sua integridade física e moral. Sua defesa apresentou um documento migratório que autoriza sua permanência provisória em Puerto Iguazú até junho. No entanto, em entrevista ao portal UOL, ele declarou estar em Mendoza, distante mais de 2.000 quilômetros do local informado oficialmente.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, já havia determinado que a defesa prestasse esclarecimentos sobre a possível fuga. Os advogados confirmaram que o réu está na Argentina, mas não detalharam os motivos da viagem.

Léo Índio foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em fevereiro de 2023 por cinco crimes: golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Segundo as acusações, ele participou ativamente das invasões às sedes dos Três Poderes, registrando e divulgando imagens durante os ataques. A PGR também anexou conversas em que ele sugeria um ataque ao STF.

A defesa nega todas as acusações e classifica a denúncia como uma perseguição política. Os advogados afirmam que Léo Índio não financiou nem organizou os atos golpistas e que as provas apresentadas são insuficientes para incriminá-lo. Em entrevista ao jornal Estadão, ele declarou que retornará ao Brasil “assim que a perseguição injusta acabar”.

A decisão sobre o pedido de prisão preventiva está agora nas mãos do ministro Alexandre de Moraes. Caso seja deferida, Léo Índio poderá ser preso ao retornar ao Brasil ou extraditado, dependendo de negociações entre as autoridades brasileiras e argentinas.

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