Resgate estratégico: veterano da política nacional retorna ao centro do tabuleiro na sucessão do Paraná

O retorno de Alceni Guerra é interpretado como um resgate estratégico de um dos quadros mais experientes da política administrativa brasileira

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Alceni Guerra ao lado do pré-candidato a governador, Requião Filho, a ministra Gleisi Hoffmann e outras lideranças políticas do Paraná (Foto: Divulgação/PDT)

Nos bastidores da política paranaense, uma articulação silenciosa começa a ganhar densidade e chama atenção pelo simbolismo: o possível retorno de Alceni Guerra (PSB) ao epicentro do poder estadual, agora como indicado a vice-governador na chapa do deputado estadual Requião Filho (PDT).

Mais do que uma composição eleitoral convencional, o movimento é interpretado como um resgate estratégico de um dos quadros mais experientes da política administrativa brasileira.

Aos poucos, lideranças locais e nacionais costuram um arranjo que vai além da matemática partidária.

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A leitura predominante é que a eventual escolha de Alceni não mira apenas votos, mas estabilidade, credibilidade institucional e capacidade de diálogo, atributos cada vez mais valorizados em um cenário de polarização e desgaste da política tradicional.

Histórico

Com passagem marcante pelo Ministério da Saúde, onde foi um dos protagonistas na consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), Alceni Guerra construiu uma trajetória rara de continuidade administrativa.

Foi deputado federal, chefe da Casa Civil do Paraná e prefeito de Pato Branco, sempre associado a um perfil técnico, avesso a rupturas retóricas e com imagem pública preservada ao longo das décadas. Seu nome carrega memória de Estado, algo que campanhas recentes têm dificuldade de oferecer.

Nos corredores de Brasília, a movimentação é atribuída, em parte, à influência do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB). Com histórico semelhante de valorização da gestão pública e da política de resultados, Alckmin é apontado como um articulador-chave na reaproximação de quadros técnicos com projetos eleitorais competitivos.

A interlocução com o campo nacional reforça a percepção de que a chapa pode nascer com pontes abertas junto ao governo federal.

Se confirmada, a composição entre Requião Filho e Alceni Guerra simbolizaria o encontro entre gerações políticas distintas: de um lado, a renovação discursiva e o capital eleitoral do jovem deputado; de outro, a experiência acumulada de quem ajudou a estruturar políticas públicas duradouras.

O efeito imediato seria um reposicionamento da candidatura no espectro do centro administrativo, com potencial de atrair apoios hoje dispersos.

Embora ainda não haja anúncio oficial, o simples avanço das conversas já começa a produzir efeitos práticos. Partidos recalculam alianças, adversários ajustam estratégias e o debate sobre a sucessão estadual ganha novos contornos.

Em um cenário de incertezas, a possível volta de Alceni Guerra funciona como sinal claro: a eleição no Paraná pode ser menos sobre ruptura e mais sobre reconstrução institucional.


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