Uma força-tarefa composta por promotores e policiais realizou, na manhã de ontem, uma série de buscas na região do quilômetro 26 de Minga Guazú, no âmbito da investigação sobre o desaparecimento de US$ 1,3 milhão e R$ 4 milhões após a queda de um avião no último sábado. Apesar da operação, nenhuma evidência foi encontrada.
A ação foi liderada pelo promotor Alcides Giménez Zorrilla e contou com a participação de agentes da Unidade de Combate ao Crime Organizado, com apoio de equipes de Investigações e Inteligência. As buscas foram realizadas em cumprimento a mandado expedido pela juíza Jorgelina Melgarejo Vera.
Ao todo, cinco residências foram alvo de buscas em ruas não identificadas na área do km 26 da Rodovia PY02, incluindo o bairro San Antonio. Os imóveis pertencem a famílias de baixa renda que vivem nas proximidades do local onde ocorreu o acidente. Segundo relatório oficial, nenhuma evidência relacionada ao suposto crime de roubo qualificado foi localizada, embora as autoridades afirmem possuir informações que podem orientar o andamento da investigação.
A operação gerou críticas por concentrar-se exclusivamente em moradores que foram os primeiros a chegar no avião e a prestar socorro às vítimas. Apesar de terem auxiliado no resgate, esses moradores passaram a ser considerados suspeitos no desaparecimento do dinheiro.
Por outro lado, outros grupos que também estiveram no local desde os primeiros momentos, como policiais, integrantes do Ministério Público, funcionários da empresa Prosegur, além de bombeiros do aeroporto e de Minga Guazú, não foram incluídos nas buscas nem submetidos a verificação até o momento.
Outro ponto que levanta questionamentos é o fato de o desaparecimento do dinheiro ter sido comunicado apenas na tarde de segunda-feira por funcionários da Prosegur, embora o acidente tenha ocorrido no sábado. A demora levanta dúvidas sobre o que ocorreu nas horas seguintes à queda, e não está descartada a hipótese de fraude contra a seguradora.
Leia também
O acidente
A aeronave envolvida era um modelo Cessna 402B, matrícula ZP-BEE, pertencente à empresa Aerotax SA e arrendada pela Prosegur para transporte de valores. O acidente ocorreu por volta das 15h30 de sábado, a cerca de 700 metros do Aeroporto Internacional Guaraní, na região do km 26 da rodovia Acaray.
O piloto, Fernando Noldin Romero, de 65 anos, morreu no local após o impacto. A copiloto, Dora Yerutí Núñez Insfrán (25), e os passageiros Hiram Bogado Salanueva (48) e Fredy Recalde Benítez (27), ambos funcionários da Prosegur, ficaram feridos e receberam os primeiros atendimentos de moradores antes da chegada das equipes de resgate.
De acordo com informações preliminares, o avião havia decolado do Aeroporto Guaraní com destino a Assunção, mas apresentou problemas mecânicos enquanto sobrevoava a região de Maiorca. O piloto retornou e tentou pousar novamente, porém, já próximo à pista, a aeronave perdeu potência, colidiu com árvores e caiu parcialmente sobre uma residência desocupada, evitando consequências mais graves.
Equipes de bombeiros do aeroporto e de Minga Guazú controlaram um incêndio de pequenas proporções iniciado após a queda. Os feridos foram encaminhados a unidades de saúde da região.
As investigações seguem em andamento para esclarecer o paradeiro do dinheiro desaparecido e identificar possíveis responsáveis, enquanto aumentam as críticas sobre os critérios adotados nas operações realizadas até o momento.
Confira notícias de Foz do Iguaçu no Facebook do Diário de Foz e no Instagram do Diário de Foz
