Entrada do ex-prefeito na corrida pela Assembleia Legislativa reorganiza o cenário político local, amplia a disputa entre aliados e levanta dúvidas sobre os impactos da fragmentação dos votos
A decisão do ex-prefeito Paulo Mac Donald Ghisi (PP), de lançar sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa do Paraná, altera o cenário político de Foz do Iguaçu e abre uma nova disputa entre lideranças locais. Embora mantenha forte reconhecimento junto ao eleitorado, sua entrada na corrida estadual pode fragmentar votos e influenciar diretamente as chances do município em manter representação no Legislativo paranaense.
Paulo governou Foz por dois mandatos e segue como um dos nomes mais conhecidos da política local. No entanto, a dinâmica de uma eleição proporcional difere da disputa majoritária para prefeito. Além da votação individual, o desempenho depende da força da legenda, da composição da chapa e da competitividade entre os candidatos do mesmo grupo político.
Nos bastidores, a avaliação é de que a pré-candidatura foi construída sem a preparação regional normalmente observada em campanhas estaduais. Nos últimos anos, Paulo não estruturou uma base política consolidada fora de Foz do Iguaçu, mantendo sua atuação concentrada no município e próximo ao grupo conhecido como Time Red.
É justamente nesse núcleo que o anúncio provoca maior impacto. O grupo reúne os deputado Vermelho e Matheus Vermelho(federal e estadual) e o vereador Sidnei Prestes, que também se apresenta como pré-candidato à Assembleia.
Três projetos
Com a entrada de Paulo, três projetos passam a disputar o mesmo eleitorado, além de lideranças comunitárias, apoiadores e cabos eleitorais que anteriormente atuavam de forma integrada. Na prática, analistas políticos avaliam que a divisão pode reduzir o potencial eleitoral de todos os envolvidos.
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Caso os votos sejam pulverizados entre diferentes candidaturas locais, cresce a possibilidade de que nenhum dos nomes alcance votação suficiente para garantir uma cadeira, enquanto candidatos de outras regiões do Estado avancem com bases eleitorais mais amplas e organizadas.
Vale lembrar ainda, que na eleição passada, aproximadamente 48% dos votos iguaçuenses foram para parlamentares eleitos por outras cidades e regiões, os chamados paraquedistas.
Região
Outro aspecto observado é a ausência de uma estrutura regional consolidada. Embora Paulo preserve capital político em Foz, ainda não há demonstração pública de uma rede de apoios em outras regiões do Paraná, fator considerado relevante em disputas proporcionais.
A movimentação também pode produzir reflexos para além da eleição de 2026. Ao disputar espaço com antigos aliados, o ex-prefeito entra em rota de competição com lideranças que podem ser importantes em futuras articulações políticas, especialmente em uma eventual candidatura à Prefeitura de Foz do Iguaçu em 2028.
As convenções partidárias começam na próxima segunda-feira (29) e, independentemente do resultado nas urnas, a entrada de Paulo Mac Donald já produz efeitos no cenário eleitoral. O impacto não está apenas na quantidade de votos que o ex-prefeito poderá conquistar, mas na redistribuição das forças políticas locais e no risco do município ficar sem representante na Assembleia Legislativa do Paraná.
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