AFA promove seminário em Foz do Iguaçu sobre proteção à infância e adolescência

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Foto: Divulgação

Evento que marca os 35 anos da Associação Fraternidade Aliança reúne profissionais para discutir prevenção, acolhimento, reintegração familiar e adoção

A Associação Fraternidade Aliança (AFA) promove, nos dias 8 e 9 de outubro, em Foz do Iguaçu, o 1º Seminário sobre o Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC). O evento tem como objetivo discutir a aplicação das diretrizes nacionais na atuação da rede de proteção de crianças e adolescentes no município e na região.

O seminário será realizado das 8h às 17h, no auditório da Descomplica UniAmérica – Centro Universitário, e integra as atividades pelos 35 anos da AFA. A iniciativa é realizada em parceria com a Prefeitura de Foz do Iguaçu e o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Criança e o Adolescente (NECA).

A abertura está prevista para as 8h30 de quinta-feira (8). A programação será dividida em seis eixos temáticos, com debates sobre prevenção de situações de risco, qualidade dos serviços de acolhimento, família acolhedora, reintegração familiar, adoção e acompanhamento de adolescentes e jovens após a saída dos serviços de acolhimento.

A palestra de abertura será ministrada às 10h30 pela psicóloga Dayse César Franco Bernardi, integrante do Conselho Gestor do NECA, de São Paulo. Mestre em Psicologia Social e especialista em Psicologia Jurídica, ela atua na formação de profissionais e na discussão de políticas relacionadas à infância e à adolescência.

Entre as questões que orientam o seminário está a necessidade de garantir que crianças cresçam em ambientes seguros, com cuidado e vínculos familiares, evitando o afastamento da família sempre que houver condições para a manutenção da convivência.

Segundo a consultora de formação da AFA, Suzane Amorim, a atualização do PNCFC amplia a responsabilidade dos municípios na elaboração e execução de estratégias locais. A proposta, segundo ela, é fortalecer ações que assegurem o direito à convivência familiar e comunitária.

O encontro deve reunir profissionais das áreas de saúde, educação, assistência social, segurança pública e Justiça, além de conselheiros tutelares, representantes do poder público e integrantes da sociedade civil. Participantes de mais de 50 municípios já haviam realizado inscrição.

Para a coordenadora da Equipe de Supervisão de Apoio ao Serviço de Acolhimento de Foz (ESASA), Márcia Barros, o seminário também deve contribuir para a integração entre os profissionais que atuam na rede de proteção. A expectativa é ampliar o conhecimento sobre os serviços disponíveis e facilitar o encaminhamento e o acompanhamento dos casos.

O juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Hugo Gomes Zaher, também participa das discussões. Segundo ele, encontros como o seminário contribuem para aproximar as diretrizes do plano nacional da realidade dos municípios e fortalecer a articulação entre o sistema de Justiça, a assistência social e os demais setores envolvidos na proteção de crianças e adolescentes.

O Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC) 2025–2035 foi instituído pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). O documento orienta políticas de proteção relacionadas a situações que podem comprometer a convivência familiar, como pobreza, violência, negligência, ausência de rede de apoio, acolhimento institucional, adoção e separação familiar.

A AFA atua há 35 anos em Foz do Iguaçu na área de proteção social e na garantia do direito à convivência familiar e comunitária. Entre as iniciativas desenvolvidas pela entidade está o Programa Família Acolhedora, realizado em parceria com o município há 13 anos e que já acolheu mais de 320 crianças.

O serviço envolve a seleção, preparação e acompanhamento de famílias que recebem temporariamente crianças e adolescentes afastados da família de origem por determinação judicial. Paralelamente, a rede de proteção acompanha os familiares de origem, buscando criar condições para uma possível reintegração.

Em Foz do Iguaçu, segundo a AFA, o acolhimento familiar em 2026 correspondeu à capacidade de aproximadamente seis casas-lares. Apesar disso, a maioria das crianças acolhidas ainda está em instituições: cerca de 70%, enquanto 30% são encaminhadas para famílias acolhedoras.

No Brasil, em 2025, o número de vagas ofertadas pelo Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora superou, pela primeira vez, o número de vagas em casas-lares. Foram 10.035 vagas em famílias acolhedoras e 9.834 em casas-lares. Ainda assim, o serviço não foi implantado em todos os municípios brasileiros.

A programação do seminário também deve abordar a importância de fortalecer medidas de prevenção para reduzir a necessidade de afastamento de crianças e adolescentes de suas famílias de origem.

Para a AFA, a ampliação do número de famílias acolhedoras é uma das estratégias para garantir a convivência familiar e comunitária durante o período em que a criança ou o adolescente não pode permanecer com a família de origem.

Além dos debates, a AFA fará durante o evento o lançamento do livro “Historinhas que Curam”. A publicação reúne histórias lúdicas inspiradas em situações reais e recriadas em uma narrativa de ficção.

A obra será publicada pela Nova Práxis Editorial e busca ampliar a discussão sobre proteção social, acolhimento e convivência familiar e comunitária a partir das experiências acumuladas pela entidade.

As inscrições para o seminário são gratuitas e as vagas são limitadas.


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