Audiência na Câmara expõe isolamento de bairros e riscos a pedestres na Perimetral e BR-469

Moradores cobram passarelas, reabertura de acessos e soluções urgentes para problemas de mobilidade causados pelas obras viárias em Foz do Iguaçu

perimetral leste
Vista aérea do trevo de acesso a Perimetral Leste, no entroncamento com a BR-277, na entrada de Foz do Iguaçu (Foto: Divulgação/Vídeo RFB)

Moradores de bairros afetados pelas obras da Perimetral Leste e da Avenida das Cataratas denunciaram dificuldades de mobilidade, isolamento de comunidades e riscos diários para pedestres durante audiência pública realizada na noite desta terça-feira (26), na Câmara Municipal de Foz do Iguaçu.

O debate foi aberto pelo presidente do Legislativo, vereador Paulo Debrito (PL), e conduzido pelo vereador Soldado Fruet (PL), autor do Requerimento nº 261/2026, que propôs a discussão sobre os impactos das obras viárias na rotina da população.

Participaram da audiência representantes do DNIT, DER, Foztrans, moradores e lideranças comunitárias, além dos vereadores Anice Gazzaoui (PP), Dr. Ranieri Marchioro (Republicanos), Marcia Bachixte (MDB), Adnan El Sayed (PSD), Cabo Cassol (PL), Sidnei Prestes (Podemos) e Bosco Foz (PL).

Moradores relatam isolamento e dificuldade de acesso

Durante a audiência, moradores relataram que bairros próximos à Perimetral Leste ficaram isolados após o fechamento de acessos intermediários, dificultando deslocamentos diários para trabalho, escola, unidades de saúde e transporte público.

Também foram levantadas preocupações em relação à falta de passarelas na Avenida das Cataratas (BR-469), especialmente para trabalhadores da rede hoteleira e moradores que precisam atravessar a rodovia diariamente.

O vereador Soldado Fruet afirmou que a ausência de estruturas seguras para travessia coloca vidas em risco. “A falta de passarelas implica em situações de risco diariamente. A audiência foi proposta para abrir espaço ao diálogo e construir soluções juntos. Esperamos sair daqui com respostas para garantir mais segurança e qualidade de vida para a população”, declarou.

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Vereadores cobram soluções e revisão de projetos

Diversos parlamentares cobraram respostas dos órgãos responsáveis pelas obras e criticaram a falta de planejamento voltado às comunidades impactadas.

O vereador Dr. Ranieri Marchioro (Republicanos) questionou a quem a população deve recorrer para solucionar os problemas gerados pelas intervenções viárias.

Bosco Foz (PL) pediu que os encaminhamentos da audiência fossem claros, especialmente em relação aos responsáveis pelas soluções e aos prazos para execução das melhorias.

Já o vereador Adnan El Sayed (PSD) afirmou que os impactos da Perimetral Leste já haviam sido alertados anteriormente. “Esse assunto da Perimetral foi muito debatido, e alertou-se que ela traria os mesmos problemas que a BR-277 traz para o Jardim Jupira. O triste é que tudo isso não foi reavaliado nem reajustado no projeto”, afirmou.

A vereadora Professora Marcia Bachixte (MDB) destacou a preocupação com trabalhadores que precisam atravessar a Avenida das Cataratas diariamente. “Os bairros não podem ficar isolados. Os funcionários que trabalham em hotéis e atravessam a Avenida das Cataratas diariamente, como fica isso?”, questionou.

Sidnei Prestes (Podemos) criticou a concepção dos projetos. “Fizeram o projeto olhando o mapa, mas esqueceram as famílias, as comunidades”, disse.

O presidente da Câmara, Paulo Debrito (PL), mencionou a necessidade de uma travessia entre o Jardim Cataratas e a Avenida Morenitas, pauta já discutida anteriormente com o DNIT. Segundo ele, os vereadores poderão buscar apoio em Brasília para acelerar soluções.

DNIT diz que obra era conhecida desde 2018

Representando o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o chefe de serviço da superintendência regional em Foz do Iguaçu, Marcos Paulo Soares Costa, explicou que o projeto da Perimetral Leste é discutido formalmente desde 2018.

Segundo ele, a obra foi planejada para desafogar o trânsito pesado da região central da cidade, especialmente o fluxo de importação e exportação ligado à Ponte da Integração.

“O tráfego tende a crescer e se desenvolver. A Perimetral Leste é um braço da BR-277”, afirmou.

Questionado sobre o fechamento de acessos, o representante do DNIT declarou que a medida foi adotada por segurança, para evitar retornos e manobras consideradas perigosas. Ele informou ainda que o órgão cobra da empresa responsável pela obra soluções para alguns pontos críticos próximos à Avenida República Argentina.

DER afirma que ajustes dependem de recursos

O engenheiro Charles Urbano Hostins Júnior, representante do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), reconheceu que as obras precisam de adequações voltadas à realidade urbana.

Segundo ele, o contrato da obra está em fase final e eventuais mudanças dependerão de novos recursos do Governo do Estado, já que a Itaipu Binacional concluiu os repasses previstos para o projeto.

“As obras estavam atrasadas há mais de 20 anos, agora precisam ser ajustadas, principalmente nas questões do trato fino com quem mora nas redondezas e é afetado todos os dias”, declarou.

Ele também explicou que os órgãos técnicos trabalham sob uma lógica rodoviária, e não urbana. “Quando a gente dificulta o acesso, é porque nem todos podem ter acesso a uma rodovia, já que ela não é uma via local”, afirmou.

Foztrans admite falhas no planejamento urbano

O diretor-superintendente do Foztrans, Maxwell Lucena, afirmou que os projetos estruturantes não consideraram adequadamente o impacto sobre as pessoas.

“Faltou observar as pessoas nos projetos das obras estruturantes. Em nenhum momento pensaram nas pessoas que seriam atingidas por essas obras”, declarou.

Segundo ele, embora os transtornos durante a execução das obras tenham sido debatidos em audiências anteriores, não houve discussão suficiente sobre os impactos permanentes após a conclusão das intervenções.

“Creio que o momento agora é de repensar”, afirmou.

População critica ausência de passarelas e iluminação

Representantes comunitários também fizeram críticas à falta de infraestrutura para pedestres e à ausência de acessos seguros.

O presidente do bairro Buenos Aires, Rafael Cabanha, reconheceu avanços trazidos pelas obras, mas afirmou que a população sofre diariamente com as dificuldades de deslocamento.

“A questão das passarelas: a gente não entende o motivo pelo qual não estava no projeto. Quando o morador precisa atravessar, isso se torna uma situação de risco”, declarou.

A moradora Alessandra Soares, do Jardim Alvorada, relatou dificuldades de acesso a serviços básicos. Segundo ela, moradores precisam atravessar áreas perigosas para chegar ao posto de saúde de Três Lagoas.

“Não tem iluminação, faltam placas, a velocidade é grande”, afirmou.

Já Luiz Fernando Bazanela pediu a reabertura de vias de acesso à Perimetral Leste para melhorar o fluxo de caminhões e reduzir transtornos aos moradores.

Representando o bairro Remanso Grande, Eloir Reis afirmou que cerca de 300 famílias estão isoladas. “Ainda acredito no poder público. Peço que olhem pela gente”, disse.

Professora da Unila critica modelo rodoviário em área urbana

A professora de Arquitetura e Urbanismo da Unila, Patrícia Zandonade, criticou o modelo adotado nas obras da Avenida das Cataratas e da Perimetral Leste.

Segundo ela, as vias foram projetadas com características de rodovias de alta velocidade, apesar de estarem inseridas dentro do perímetro urbano de Foz do Iguaçu.

“As duas vias foram feitas e projetadas dentro de área urbana, e elas não podem ter o mesmo funcionamento de uma rodovia fora do perímetro”, afirmou.

A professora também questionou a ausência de planejamento para transporte coletivo e circulação de pedestres. “Como um projeto desses pode ser feito sem pensar em pontos de ônibus? As passarelas não funcionam; elas servem para deixar o carro passar e não favorecer o pedestre”, criticou.


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