Rotina de violência coloca Ciudad del Este como cidade mais insegura do Paraguai

Rádio La Clave relata dois ataques violentos que renderam somas milionárias aos marginais num intervalo de apenas uma hora

Ciudad del Este 2
Foto: Arquivo Diário de Foz

Dois assaltos de grande porte registrados na manhã de terça-feira (26) voltaram a evidenciar o clima de insegurança em Ciudad del Este, no Paraguai. As ações criminosas ocorreram com apenas uma hora e meia de intervalo e a poucos metros uma da outra, na região do quilômetro 5,5, uma das áreas comerciais mais movimentadas da cidade.

Nos dois casos, os alvos foram funcionários de empresas distribuidoras que transportavam elevadas quantias em dinheiro para depósitos bancários. Somados, os roubos ultrapassaram o equivalente a mais de R$ 1,5 milhão.

Primeiro assalto levou cerca de US$ 200 mil

O primeiro crime aconteceu por volta das 9h, no viaduto do quilômetro 5,5 da Avenida Monsenhor Rodríguez, no bairro San José. As vítimas foram Oscar Antonio Prieto, de 52 anos, e Alcides Villalba Giménez, de 61, funcionários da importadora de perfumes Vía Brasil.

Segundo informações da 7ª Delegacia de Polícia do bairro San José, os trabalhadores seguiam em um veículo Citroën, placas AANP 317, em direção ao banco Interfisa, localizado no complexo do supermercado Fortis, onde fariam o depósito do dinheiro.

Durante o trajeto, o carro foi interceptado por uma Toyota Fortuner preta. Cinco homens armados, vestidos inteiramente de preto e armados, desceram do veículo e renderam violentamente as vítimas.

Os criminosos roubaram uma bolsa contendo aproximadamente US$ 200 mil, além de celulares, documentos pessoais, cartões bancários e dinheiro pertencente a uma das vítimas.

Após a ação, os suspeitos fugiram pela Avenida Monsenhor Rodríguez e abandonaram o veículo utilizado no assalto a poucos quarteirões do local, continuando a fuga em outro automóvel, em uma ação considerada premeditada pelas autoridades paraguaias.

Equipes do Departamento de Investigações e da Criminalística estiveram no local para coleta de provas e análise de imagens de câmeras de segurança da região.

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Segundo roubo terminou com perseguição e tiroteio

Pouco mais de uma hora depois, por volta das 10h30, outro assalto foi registrado praticamente na mesma área, desta vez em uma rua próxima à empresa Tape Ruvicha, no bairro La Blanca.

As vítimas foram Edgar Cantero e Gloria María Ramírez Villalba, funcionários da distribuidora Renacer, que transportavam 185 milhões de guaranis em um SUV Kia Seltos branco, placas AAMD 795. O dinheiro seria depositado em uma agência bancária localizada no quilômetro 4.

Conforme o relatório da 4ª Delegacia de Polícia, quatro criminosos armados, que estavam em um Kia Rio branco, interceptaram o veículo e roubaram toda a quantia transportada.

Após o crime, os suspeitos fugiram em direção a Minga Guazú. A rápida mobilização policial permitiu a instalação de bloqueios e barreiras em pontos estratégicos da cidade. Durante as buscas, uma viatura encontrou o veículo suspeito entre os quilômetros 12 e 14 da Rodovia Acaray, iniciando uma perseguição que terminou em confronto armado.

Os quatro ocupantes do carro foram presos após troca de tiros com a polícia. Apesar da intensidade da ação, ninguém ficou ferido.

Suspeitos têm antecedentes e ligação com homicídios

Os detidos foram identificados como César Leonardo Ramírez Acuña, conhecido pelos apelidos “Boludo” e “Chona’i”, de 32 anos; Juan Carlos Gaona García, de 29; Diego Ocampo González, de 28; e César Adrián Britos Estigarribia, de 35 anos.

Segundo os investigadores, vários deles possuem antecedentes criminais e mandados de prisão por crimes graves cometidos anteriormente no departamento de Alto Paraná.

Ramírez Acuña e Gaona García eram procurados por mandados de prisão e também tinham alerta vermelho da Interpol pelo roubo seguido de homicídio ocorrido em 23 de março deste ano contra a empresa Xtreme SRL, no bairro Obrero, em Ciudad del Este.

Na ocasião, o vigilante Sebastián Alfonso Amaro, de 48 anos, foi assassinado durante o ataque criminoso. Os assaltantes roubaram medicamentos para emagrecimento avaliados em aproximadamente US$ 90 mil.

Já Diego Ocampo González possui mandado de prisão em aberto por roubo qualificado, além de antecedentes por tentativa de roubo agravado e associação criminosa.

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Foragido acusado de matar policial segue desaparecido

As investigações apontam ainda que Wilson Darío Rotela Coronel, acusado do assassinato do policial Gustavo Bareiro em junho de 2022, também teria participado do assalto desta terça-feira.

O policial foi morto dentro de um estabelecimento comercial no bairro Obrero. Rotela Coronel chegou a ser transferido para o presídio de segurança máxima de Minga Guazú, mas conseguiu fugir da unidade prisional.

Posteriormente, segundo os investigadores paraguaios, ele também teria participado do roubo à empresa Xtreme SRL, sendo suspeito de efetuar os disparos que mataram o vigilante Sebastián Alfonso Amaro.

Apesar da prisão dos quatro suspeitos, as autoridades acreditam que Rotela Coronel conseguiu escapar durante a operação policial, levando consigo parte significativa do dinheiro roubado.

Polícia recuperou parte do dinheiro e apreendeu armas

Durante a operação, os agentes recuperaram cerca de 57 milhões de guaranis, valor que seria parte da quantia roubada dos funcionários da distribuidora Renacer.

Também foram apreendidos armamentos de grosso calibre, celulares, roupas utilizadas pelos suspeitos e outros materiais que passarão por perícia.

Os investigadores confirmaram ainda que o veículo Kia Rio utilizado pelos criminosos havia sido roubado no último dia 4 de maio, no km 16 da região de Acaray, em Minga Guazú. O automóvel foi tomado durante um assalto seguido do sequestro de um jovem de 19 anos identificado como Santiago Guillermo Campuzano Ramírez.

Casos aumentam críticas à segurança pública

Os episódios reacenderam o debate sobre a segurança pública em Ciudad del Este, considerada um dos principais polos comerciais do Paraguai e importante eixo econômico da tríplice fronteira entre Paraguai, Brasil e Argentina.

Setores da imprensa local, empresários e moradores têm questionado a efetividade dos controles preventivos da Polícia Nacional, diante da circulação de grupos armados em veículos roubados pelas ruas do Alto Paraná sem interceptação prévia das autoridades.


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