A família do comerciante Daniel Patrício Santos de Oliveira, de 29 anos, morto durante uma abordagem policial na zona norte do Rio de Janeiro, planejava se mudar para Foz do Iguaçu nos próximos dias. Segundo a viúva, a mudança já estava pronta quando ocorreu o episódio.
De acordo com informações exibidas pelo Jornal Nacional, Daniel estava em um carro com outras três pessoas quando foi atingido por disparos e morreu no local. Ele e os demais ocupantes, que não ficaram feridos, estavam chegando em casa ao voltar de uma festa.
Testemunhas afirmaram que os tiros foram efetuados por policiais militares durante patrulhamento. Há suspeita de que o veículo tenha sido confundido com o de criminosos. Marcas de tiros ficaram no para-brisa e nos pneus do carro, além de danos em um muro e no portão de uma escola próxima. A Polícia Civil fez a perícia, mas ainda não divulgou quantos tiros os PMs dispararam. A família da vítima contou mais de 20.
A mãe de Daniel foi até o local ainda de madrugada e cobrou explicações dos policiais.
“Eu vi todos os policiais aqui parados vendo o absurdo que eles tinham feito. Na hora disseram para mim que deram ordem de parar, que ele vinha rápido e não parou. Mas ele jamais, se dessem ordem para ele parar, não ia parar. Ele não era bandido, ele tinha documento, ele tinha tudo”, diz Elaine de Oliveira, mãe de Daniel, ao Jornal Nacional.
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A Corregedoria da Polícia Militar abriu uma investigação e analisou as imagens das câmeras corporais usadas pelos agentes, mostrando indícios de homicídio doloso, quando há intenção de matar. Após a análise, dois policiais militares foram presos, e a corporação informou que instaurou procedimento interno para apurar as circunstâncias da ocorrência.
Daniel era dono de uma loja de produtos eletrônicos, casado e pai de uma menina de 4 anos. A viúva relatou que a família já havia organizado toda a mudança para Foz do Iguaçu, onde moram alguns de seus parentes, a fim de recomeçar a vida na Terra das Ctaratas. O plano foi interrompido pela morte de Daniel, que gerou comoção e levantou questionamentos sobre a atuação policial.
“Já estou com minha mudança pronta. Inclusive, ele veio de Foz do Iguaçu com esse carro para a gente levar nossas coisas. Eu faço o que agora? Com uma criança de 4 anos que vivia agarrada com o pai dela? Porque ele era a razão da vida dela”, diz Karina Dias Paes, viúva de Daniel, também ao Jornal Nacional.
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