Foz do Iguaçu debate uso do biometano para reduzir custos e ampliar independência energética no agronegócio

A proposta visa o aproveitamento de resíduos da suinocultura e da avicultura para a produção de biogás, transformando passivos ambientais em fonte energética, ao mesmo tempo em que reduz emissões de gases de efeito estufa

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Foto: Divulgação/ IDR

Especialistas, produtores rurais e representantes do poder público se reuniram em Foz do Iguaçu para discutir estratégias de implementação do biometano no transporte do agronegócio, com foco na substituição do diesel por um combustível renovável produzido dentro das próprias propriedades rurais. O encontro foi conduzido pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e abordou caminhos para a descarbonização da logística no estado.

A proposta central envolve o aproveitamento de resíduos da suinocultura e da avicultura para a produção de biogás, posteriormente purificado até se tornar biometano, com qualidade equivalente ao gás natural veicular. A tecnologia permite transformar passivos ambientais em fonte energética, ao mesmo tempo em que reduz emissões de gases de efeito estufa.

Redução de custos e ganhos operacionais

Um dos principais argumentos apresentados no evento é o impacto econômico direto para o produtor rural. O custo logístico, considerado um dos maiores entraves do agronegócio brasileiro, pode ser significativamente reduzido com a substituição do diesel. Estudos debatidos indicam que a economia no abastecimento pode ultrapassar 40%.

Além do menor custo, o biometano apresenta vantagens técnicas, como menor emissão de poluentes, redução de ruídos e simplificação na manutenção dos veículos pesados. Esses fatores aumentam a eficiência operacional e contribuem para melhorar as condições ambientais nas regiões de transporte.

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Paraná como polo estratégico

O Paraná é apontado como ambiente favorável para a expansão do biometano devido à elevada disponibilidade de biomassa. A forte produção de aves e suínos garante grande volume de resíduos orgânicos, matéria-prima essencial para a geração do combustível.

A adoção do biometano permite ainda a criação de uma rede descentralizada de produção energética, em que o combustível é gerado diretamente nas propriedades rurais. Com isso, recursos que antes eram destinados à compra de diesel importado passam a circular na economia local, estimulando o desenvolvimento regional.

Desafios de infraestrutura

Apesar do potencial, a implementação enfrenta entraves, principalmente relacionados à infraestrutura de abastecimento. O biometano exige sistemas específicos de compressão e armazenamento, além da criação de corredores logísticos com postos adaptados ao combustível.

Nesse sentido, o IDR-Paraná articula parcerias com o setor privado para viabilizar a instalação de pontos de abastecimento em cooperativas e rotas estratégicas, conectando áreas produtoras ao Porto de Paranaguá.

Sustentabilidade e mercado internacional

A utilização do biometano também atende à crescente pressão internacional por práticas sustentáveis no agronegócio. O combustível pode apresentar pegada de carbono negativa, ao capturar metano que seria liberado na atmosfera e convertê-lo em energia.

Essa característica fortalece a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, especialmente em mercados que exigem certificações ambientais rigorosas.

Independência energética e perspectivas futuras

Outro ponto destacado é a redução da dependência de combustíveis fósseis e das oscilações do mercado internacional. Ao produzir seu próprio combustível, o produtor rural ganha previsibilidade de custos e maior segurança energética.

O debate também apontou que o biometano pode servir como etapa intermediária para tecnologias mais avançadas, como a produção de hidrogênio renovável, ampliando o papel do campo não apenas como fornecedor de alimentos, mas também de energia limpa.

Ao final do encontro, a avaliação é de que a tecnologia já está disponível e madura, restando a ampliação da infraestrutura e o fortalecimento de políticas públicas para consolidar o biometano como alternativa estratégica no transporte do agronegócio brasileiro.


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