Governo do Paraná renegocia contrato com Itamed para evitar interrupção de partos em Foz do Iguaçu

A reunião ocorre nesta sexta-feira (10), em Curitiba, após o hospital informar que pode interromper o atendimento devido a um déficit nos valores repassados pelo sistema público

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Foto: William Brisida/Itaipu Binacional.

O Governo do Paraná convocou representantes do Hospital Itamed para uma reunião nesta sexta-feira (10), em Curitiba, a fim de discutir a revisão do contrato de prestação de serviços de maternidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A informação foi confirmada pela assessoria do hospital nesta quinta-feira (9).

O encontro acontece sete dias após o Itamed formalizar à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) a possibilidade de suspender os atendimentos de partos de risco habitual no prazo de até 60 dias devido a um desequilíbrio financeiro entre os custos operacionais e os valores repassados pelo sistema público de saúde.

De acordo com dados apresentados pelo hospital, os atendimentos vinculados ao SUS geraram, em 2025, um custo aproximado de R$ 161,5 milhões, frente a um faturamento de R$ 52 milhões no contrato com o Estado, com um déficit de R$ 51,3 milhões.

O principal ponto de impasse é o valor pago por parto. O hospital reivindica reajuste para R$ 3.048,15 por procedimento, enquanto o repasse atual é de R$ 1.845,34. A diferença histórica vinha sendo coberta pela Itaipu Binacional, que, segundo a direção, deixou de custear despesas operacionais e passou a focar apenas em investimentos estruturais.

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Apesar do aviso de descontinuidade, o hospital segue com os atendimentos sem alteração. O prazo de 60 dias passou a contar a partir do recebimento formal do ofício pelo Estado, e a eventual interrupção está condicionada à ausência de acordo.

“O serviço não está suspenso. Anunciamos que, em 60 dias, poderemos deixar de ofertar esse atendimento, caso não haja mudança nas condições atuais”, informou a assessoria.

A continuidade dos atendimentos após esse período depende do resultado da reunião em Curitiba. Caso haja avanço nas negociações, a despactuação pode ser revista ou suspensa. Sem acordo, o hospital mantém a previsão de encerrar os partos de risco habitual ao fim do prazo.

Em nota, a Sesa informou que mantém diálogo com a direção do hospital e com a Itaipu Binacional para buscar alternativas de financiamento e recomposição de recursos, diante da defasagem histórica da tabela do SUS. O governo também indicou que a negociação inclui a tentativa de recomposição junto ao Ministério da Saúde.


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