Movimento cultural iguaçuense promove amanhã um encontro que aproxima natureza, práticas integrativas, música, dança e poesia em uma programação construída para o convívio
Há encontros que começam antes da primeira música. Começam na chegada, no abraço, na roda que se forma, na curiosidade de quem chega sem saber exatamente o que vai encontrar.
É nesse espírito que acontece amanhã, 19 de setembro, o IV Sarau Sopro de Sol – Sentir, Arte e Consciência, na Morada Sopro de Sol, em Foz do Iguaçu. A partir das 14h30, a casa recebe o público para uma edição de primavera que reúne permacultura, terapias integrativas, palhaçaria, música, dança, oficinas, poesia, feira e apresentações autorais.
A proposta é fazer da cultura uma experiência vivida coletivamente — e não apenas assistida.
Da terra ao corpo, do corpo à arte
A programação começa às 15h, com a Oficina de Permacultura, conduzida por Pedro Magalhães, de Puerto Libertad, Argentina. O encontro inaugura a tarde colocando a relação com a terra e os modos sustentáveis de viver no centro da experiência.
No mesmo período, entre 15h e 17h, acontecem Terapias Integrativas e atividades de Palhaçaria e Brincadeiras, criando um espaço em que cuidado, leveza e ludicidade se encontram.
Uma tarde para plantar ideias
Às 15h30, a programação de oficinas recebe o Ritual Essencial, com Ailime Kamaia.
A tarde segue em movimento. Às 17h, chega a Música Medicina, com Flecha Certeira, formada por Rudy, Clayton e Junior.
Às 18h, o público é convidado para atividades ao ar livre, incluindo uma prática de Tai Chi.
A ideia parece simples, mas carrega uma potência particular: sair por algumas horas do ritmo acelerado da cidade e permitir que o corpo encontre outro tempo.
Saberes que atravessam fronteiras
O caráter fronteiriço de Foz do Iguaçu também aparece na programação.
Às 18h30, a oficina “Mujer y Ciclicidad”, com Nacha, de Iguazú, Argentina, traz uma perspectiva de reflexão e prática para o encontro.
Às 19h, é a vez de Sioux – Dança de Rua, com Bianor Dias, levando o movimento urbano para dentro dessa grande mistura de linguagens que caracteriza o sarau.
É uma programação que não estabelece uma separação rígida entre o que seria “arte”, “terapia”, “educação” ou “cultura”. As experiências se atravessam.
Quando a noite chega, a música toma conta
Às 19h30, o sarau abre espaço para a produção autoral e acústica, reunindo diferentes artistas:
🎼 Gabi Dotti
🎼 Luni & Pedro
🎼 Taty Mistic
São vozes e trajetórias diferentes compartilhando o mesmo palco — uma característica essencial de um sarau: a possibilidade de encontro entre expressões que, fora dali, talvez nem dividissem o mesmo espaço.
Às 20h30, a palavra ganha protagonismo com Midiã, em uma sessão de poesia.
Quem quiser, pode chegar, respirar fundo e colocar sua própria palavra no mundo.
Às 21h, encerrando a sequência de apresentações, sobe ao palco a Banda Projeto Inverso.
Uma feira dentro do encontro
Paralelamente à programação artística, o sarau contará com Feirinha, reunindo Luni Sabor y Arte, brechós, artesanato e doações.
Também haverá chopp e opções de bebidas sem álcool, compondo o ambiente de convivência que se estende durante toda a noite.
A proposta é que ninguém precise apenas “assistir” ao sarau. É possível circular, conversar, conhecer iniciativas, trocar objetos, descobrir artistas, participar das oficinas ou simplesmente sentar e acompanhar o movimento.
Cultura como território de encontro
O Sopro de Sol se constrói justamente nessa intersecção.
Entre Foz e a fronteira.
Entre a cidade e a natureza.
Entre a música e o silêncio.
Entre o conhecimento e a experiência.
Entre quem chega para apresentar e quem chega para descobrir.
A edição de primavera também conta com uma rede de apoios que ajuda a materializar o encontro: Escola de Circo Circatrus, na direção técnica, Pardal Som e Eventos, Kapivara Kartonera, Cufi, Horta Comunitária Vila C, além do curso “Anatomia da Aura e os Chakras”, com Elizabeth S., e do Projeto Bibliotecas Itinerantes.
Iniciativas culturais como Diário Foz, Fronteira Livre, H2Foz, Guatá Cultura em Movimento e Museu da Imprensa também compõe a coletividade do sarau.
A a imagem mais bonita do Sopro de Sol: muitas mãos diferentes ajudando a construir o mesmo espaço. Como uma agrofloresta, onde nenhuma espécie precisa existir sozinha para florescer.
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