Levantamento do ICL Notícias identifica contas impostoras, discursos de ódio e imagens manipuladas por inteligência artificial
O nome e a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são utilizados em mais de 3,3 mil perfis falsos nas principais redes sociais do país. Parte dessas contas divulga informações falsas, conteúdos difamatórios e ameaças de violência. Os dados integram um levantamento de uma empresa especializada em monitoramento digital, obtido pelo núcleo investigativo do ICL Notícias e divulgado em reportagem do jornalista André Uzêda nesta quinta-feira (15).
A investigação examinou contas que se apresentam como pertencentes ao presidente ou a seus familiares, sem esclarecer que não são oficiais. O Facebook concentra o maior número de perfis identificados, com 1.442 registros, seguido pelo TikTok (796), X (384), YouTube (308) e Instagram (232).
O ranking muda quando são considerados os conteúdos classificados como perigosos, incluindo publicações com assédio, difamação e ameaças de violência. Nesse levantamento, o X lidera com 3.527 ocorrências, seguido pelo TikTok (1.193), YouTube (586) e Instagram (407).
A plataforma X foi adquirida pelo empresário Elon Musk em 2022 e passou por mudanças em sua estrutura, incluindo a redução das equipes responsáveis pela moderação de conteúdos e pelo enfrentamento da desinformação.
Perfis falsos acumulam milhares de seguidores
Embora a maioria das contas impostoras tenha menos de cem seguidores, a investigação encontrou 435 perfis não oficiais com mais de mil. No mercado digital, contas com audiências entre mil e 10 mil pessoas são classificadas como nano influenciadores, categoria associada a públicos menores, mas com potencial de interação direta com os seguidores.
Entre os exemplos identificados está o perfil @lulinha_presidente2026, no TikTok, que reunia 1.009 seguidores e, segundo o monitoramento, disseminava informações falsas e conteúdos de ódio. A conta já não estava disponível quando a investigação foi divulgada. A curta permanência de algumas dessas páginas dificulta o rastreamento das publicações e de seus responsáveis.
Inteligência artificial é usada em montagens envolvendo Lula
O levantamento também identificou conteúdos manipulados por inteligência artificial sem avisos claros aos usuários. Entre os recursos estão imagens sintéticas e técnicas conhecidas como deepfakes, capazes de reproduzir rostos, vozes e movimentos de pessoas reais em situações fictícias.
Em uma das publicações, atribuída ao perfil @lucivania.da.silv79, Lula aparece em uma suposta sala de interrogatório, sendo questionado sobre corrupção e lavagem de dinheiro. A imagem é uma montagem digital, não o registro de um interrogatório real.
Outro caso envolve o canal de Fabiana Cardoso Contadora, no YouTube. Segundo o ICL Notícias, a página utiliza imagens produzidas por inteligência artificial em publicações que sugerem falsamente a morte do presidente ou do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com informações de André Uzêda, do ICL Notícias.
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