Marcelo Vitorino detona: pesquisas manipulam eleitores

marcelo vitorino
Foto: Divulgação

“As pesquisas, quando são fraudadas, estimulam um voto a um determinado candidato, porque o eleitor não gosta de perder o voto”, disse

Zé Beto Maciel

O consultor de marketing político, Marcelo Vitorino, colocou a mão num vespeiro de uma das instituições mais sagradas de todo processo eleitoral: as pesquisas de opinião do eleitor. “Existem institutos em institutos e eles acabam induzindo o eleitor muitas vezes a um voto útil que não é bem a realidade”, disse Vitorino à Denise Rothenburg e Carlos Alexandre neste sábado, 26, ao Correio Braziliense.

“As pesquisas, quando são fraudadas, estimulam um voto a um determinado candidato, porque o eleitor não gosta de perder o voto. O eleitor acaba deixando de votar no candidato, que é o que ele, de fato, tinha como um candidato sério, comprometido, e muitas vezes vota em alguém para não perder o voto”, completa Vitorino há 20 anos no mercado e no comando da comunicação de mais de 12 campanhas eleitorais.

Vitorino argumenta que não consegue ver utilidade em divulgação de pesquisa em período eleitoral. “Uma coisa é a gente fazer pesquisa para uso interno. Vou fazer pesquisa para entender o que as pessoas estão pensando, e a partir daí formatar uma campanha”.

Menos pior
“Outra coisa é fazer uma pesquisa para alguém olhar para ela e dizer que eu ia votar no fulano, mas ele não vai ganhar, não. Então eu vou votar em ciclano. Isso é ruim. Isso faz com que o eleitor brasileiro vote cada vez no menos pior”.

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O consultor questiona ainda por que o eleitor deve ser informado que um candidato A, B ou C está na frente de uma disputa? “O que isso traz de positivo? Só traz uma manipulação. Ele deixa de votar muitas vezes naquele que ele quer”
.
“E aí sabe o que acontece? O que é o pior disso daí? Você favorece que os partidos não lancem candidaturas. Por quê? Uma parte do eleitor vota em um porque odeia o outro. O outro vota no outro porque odeia um”, completou

Apostas
As pesquisas, segundo Vitorino, além de reforçar uma polarização na disputa de cargos executivos (presidente, governador, senador e prefeitos) traz hoje um novo cenário nas eleições proporcionais.

“Eu já fiz campanha em várias regiões que você tinha bolsas de apostas. Assim, o candidato a deputado federal, fulano vai ganhar do ciclano por três mil votos. E aí alguém apostava. E aí qual o problema disso? Os apostadores, os maiores apostadores compravam pesquisas, fraudavam pesquisas para manipular a quantidade de apostas em cada candidato”.

Na eleição polarizada, diz ainda o consultor, tem o voto contra. “Eu vou votar em X para que B não seja eleito. Vou votar em B para que A não seja eleito. E no dia seguinte, essas pessoas que votaram apenas para derrotar o outro, elas não apoiam mais o vencedor. E aí a gente tem um presidente, um governador, um senador eleito sem sustentabilidade, que não tem mais aquele eleitor que votou nele”, completa.


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