Levantamento pretende avaliar impactos da atividade turística, benefícios para a população e participação dos moradores no planejamento do setor
Uma pesquisa lançada nesta quarta-feira (2) pretende identificar como os moradores de Foz do Iguaçu percebem os efeitos do turismo no cotidiano da cidade. O levantamento “Percepção da Comunidade sobre o Turismo em Foz do Iguaçu” é desenvolvido pelo Foz Destino Inteligente – Movimento DTI de Foz do Iguaçu e está aberto à participação de moradores com mais de 16 anos.
A iniciativa foi apresentada durante um encontro com lideranças de bairros, realizado na sede do Sebrae. O objetivo é ampliar a compreensão sobre o turismo a partir da perspectiva de quem vive no município, avaliando se os investimentos e melhorias realizados para atender os visitantes também são percebidos pela população.
O questionário aborda os benefícios e impactos da atividade turística, além de temas diretamente relacionados à qualidade de vida, como mobilidade, transporte público, segurança, infraestrutura, espaços de lazer e acessibilidade. Os moradores também poderão avaliar sua participação nas decisões relacionadas ao planejamento e desenvolvimento do turismo.
De acordo com Maisa Silvestre, gerente de projetos em turismo do Sebrae, a pesquisa busca compreender a relação entre o turismo e a experiência de viver em Foz do Iguaçu.
“Mais do que saber se a população considera o turismo uma atividade importante, queremos entender como essa atividade se conecta com a qualidade de vida, com o sentimento de pertencimento e com a própria experiência de viver Foz do Iguaçu”, afirma.
Segundo Maisa, a consulta pode revelar necessidades e oportunidades que não aparecem exclusivamente em indicadores econômicos ou na avaliação dos visitantes.
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Turismo influencia diferentes setores
A pesquisa também considera os impactos indiretos da atividade turística sobre moradores que não trabalham diretamente com o atendimento a visitantes.
Jelyton Santos, presidente da Liga Independente de Guias de Turismo de Foz do Iguaçu (LIGUIA) e voluntário do movimento, destaca que o fluxo turístico movimenta diferentes setores da economia local, como comércio, supermercados, postos de combustíveis, restaurantes e prestação de serviços.
Ao mesmo tempo, segundo ele, o turismo também pode gerar impactos relacionados ao trânsito, à ocupação dos espaços públicos e à demanda por serviços e infraestrutura.
A participação da comunidade é considerada um dos elementos importantes para o planejamento turístico. Para Renata Sakamoto, presidente do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), ouvir os moradores pode contribuir para que as políticas do setor estejam mais alinhadas às necessidades de diferentes regiões da cidade.
“Quando a comunidade participa mais, o planejamento turístico passa a refletir melhor as necessidades e potencialidades de cada região da cidade. Isso amplia a transparência e ajuda a construir soluções mais equilibradas”, afirma.
Resultados poderão subsidiar ações
O preenchimento do questionário leva aproximadamente dez minutos. As respostas são confidenciais e serão analisadas de forma anônima e agregada.
Os resultados deverão ser disponibilizados à população e poderão servir de subsídio para organizações públicas e privadas e para a Prefeitura de Foz do Iguaçu na definição de ações e prioridades relacionadas ao turismo.
A intenção do movimento é transformar os dados obtidos em iniciativas concretas. “Não queremos uma pesquisa que vire uma pesquisa de gaveta. A partir dela, queremos identificar onde estão as principais oportunidades, os pontos de atenção e as prioridades percebidas pela população para transformar essa escuta em ações”, explica Maisa Silvestre.
Foz Destino Inteligente
O Foz Destino Inteligente teve origem em um grupo de trabalho criado por decreto em 2022. Em 2025, a iniciativa foi ampliada e passou a reunir voluntariamente representantes do poder público, da iniciativa privada e de instituições de ensino.
Coordenado pelo Sebrae, pelo Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) e pelo Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (CMCTI), o movimento trabalha com estratégias voltadas ao desenvolvimento de Foz do Iguaçu como Destino Turístico Inteligente.
O conceito considera, além da tecnologia, aspectos como planejamento baseado em dados, inovação, sustentabilidade, acessibilidade, mobilidade, governança e participação da comunidade.
Atualmente, Foz do Iguaçu está na categoria “DTI em Transformação” e trabalha para avançar no processo de adequação aos critérios nacionais de Destinos Turísticos Inteligentes.
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