II Seminário PELD Iguaçu reúne mais de 150 trabalhos sobre água, solo, biodiversidade e aspectos socioculturais relacionados à unidade de conservação e seu entorno
O Parque Nacional do Iguaçu recebe, entre os dias 28 e 30 de outubro, o II Seminário do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração do Parque Nacional do Iguaçu (PELD Iguaçu). Realizado no Centro de Visitantes da unidade de conservação, em Foz do Iguaçu, o evento reúne pesquisadores de instituições de ensino superior do Brasil e do exterior para apresentar mais de 150 trabalhos científicos sobre os ecossistemas e as relações entre o parque e as comunidades do entorno.
A programação aborda temas como a influência dos rios sobre a biodiversidade, as características do solo e do subsolo, o monitoramento de espécies da fauna e as iniciativas de educação ambiental. O objetivo é promover o intercâmbio de conhecimentos entre universidades, instituições de pesquisa e gestores ambientais, além de contribuir para a conservação da Mata Atlântica.
Segundo Neucir Szinwelski, professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e coordenador do PELD Iguaçu, os trabalhos apresentados abrangem diferentes áreas de pesquisa, incluindo aspectos ambientais, socioculturais e de educação ambiental.
A participação de pesquisadores estrangeiros, como um representante do Japão, também demonstra o alcance das atividades desenvolvidas pelo programa nos dois primeiros anos de atuação.
Para Diesse Aparecida de Oliveira Sereia, professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e coordenadora do Projeto de Formação de Educadores Ambientais do Território do Iguaçu (FOPEA-Iguaçu), o seminário permite compartilhar resultados, integrar diferentes áreas do conhecimento e discutir como as pesquisas podem contribuir para a gestão da unidade de conservação.
Pesquisas abrangem diferentes ecossistemas
A programação está organizada em mesas temáticas, denominadas PELD Talks, que discutem os ecossistemas do parque a partir de diferentes perspectivas. Os debates incluem as águas dos afluentes do Rio Iguaçu, como os rios Floriano e São João, as características do solo e do subsolo e as descobertas sobre a biodiversidade local.
As discussões também abordam as relações entre o parque nacional e os moradores de seu entorno, aproximando pesquisas ambientais e estudos socioculturais.
A abertura do evento ocorre na quarta-feira (28), às 9h, com representantes do Parque Nacional do Iguaçu e das instituições de ensino e pesquisa participantes do programa. Entre os presentes estão José Ulisses, chefe da unidade de conservação e analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Diesse Aparecida de Oliveira Sereia, da UTFPR, Peter Löwenberg Neto, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), e Marius da Silva Pinto Belluci, analista ambiental responsável pela área de ciência e pesquisa do parque.
À tarde, a programação inclui debates sobre a relação entre os afluentes do Rio Iguaçu e os ecossistemas da unidade de conservação. Participam as pesquisadoras Rosilene Luciana Delariva e Bianca Pierina Carraro, da Unioeste, e Rafaella Costa Bonugli Santos, da Unila.
Às 16h, a discussão será dedicada ao solo e ao subsolo do parque, com pesquisadores da Unioeste, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
As atividades continuam na quinta-feira (29), com debates sobre outras áreas de pesquisa. A programação completa pode ser consultada nos canais oficiais do evento e no perfil @peld.iguacu, no Instagram.
Monitoramento de longo prazo
O PELD Iguaçu é um projeto de monitoramento ambiental de longa duração financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de recursos provenientes de encargos acessórios recebidos pelo Parque Nacional do Iguaçu.
Entre os temas investigados estão os atropelamentos de anfíbios e pequenos animais na Rodovia das Cataratas (BR-469), os padrões de atividade do urutau (Nyctibius griseus), o monitoramento acústico de aves e a diversidade de anfíbios e mamíferos.
A iniciativa busca acompanhar as transformações dos ecossistemas ao longo do tempo, identificar tendências ambientais e produzir informações que contribuam para decisões relacionadas à conservação da biodiversidade e à proteção da Mata Atlântica.
Em 2026, o Parque Nacional do Iguaçu também celebra 40 anos do reconhecimento como Patrimônio Mundial Natural pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), concedido em razão de sua relevância natural e de seu valor para a conservação da biodiversidade.
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