Decisão ocorre após intervenção do Banco Central na instituição financeira, protestos de clientes e avanço de pedidos de impeachment no Congresso
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo, em meio à crise financeira envolvendo o Ueno Bank. A decisão foi comunicada em vídeo e encaminhada ao Congresso Nacional, responsável por analisar o pedido. O vice-presidente Pedro Alliana é apontado como sucessor.
A crise ganhou dimensão após o Banco Central do Paraguai iniciar, em 3 de novembro, a intervenção na instituição financeira digital, depois de identificar que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido. A medida afetou cerca de 3 milhões de clientes, que ficaram temporariamente sem acesso às contas.
O banco administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos e mantinha vínculos com o grupo empresarial do qual Peña foi acionista até março de 2025. A instituição também é investigada por suspeitas de irregularidades financeiras, incluindo empréstimos a empresas relacionadas ao grupo controlador.
O episódio provocou manifestações de clientes e aumentou a pressão sobre o governo. Na quarta-feira (4), deputados da oposição apresentaram um pedido de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. As acusações incluem suspeitas de conflito de interesses, irregularidades envolvendo fundos previdenciários e omissão diante dos problemas da instituição financeira.
Em sua manifestação, Peña afirmou que deixa o cargo em defesa da estabilidade nacional, da paz social e das instituições democráticas. Também declarou que a prioridade é garantir a devolução dos recursos aos clientes afetados pela crise.
A saída do presidente ocorre em um cenário de instabilidade política e financeira no país, após a intervenção no banco, a mobilização de correntistas e a perda de apoio político ao governo.
Confira notícias de Foz do Iguaçu no Facebook do Diário de Foz e no Instagram do Diário de Foz
