O nascimento de 17 filhotes de perereca-rústica (Pithecopus rusticus) no Parque das Aves , em Foz do Iguaçu (PR), representa um marco inédito no mundo para a conservação da espécie. Pela primeira vez , indivíduos gerados a partir de pais mantidos sob cuidados humanos contribuem de forma concreta para a continuidade populacional de um dos anfíbios mais raros da Mata Atlântica, reforçando o papel da ciência e da cooperação institucional na proteção da biodiversidade.
Endêmica da Mata Atlântica , ou seja, uma espécie que existe apenas nesse bioma e não é encontrada em nenhum outro lugar do mundo, a perereca-rústica é altamente sensível a alterações ambientais e considerada rara em seu ambiente de ocorrência natural. Em expedições recentes, pesquisadores registraram em campo apenas cinco indivíduos, sendo dois já conhecidos e três novos. O número reduzido evidencia a fragilidade da espécie e a urgência de estratégias integradas de conservação.
“Esse nascimento é um momento de grande significado para todos nós. Estamos falando de uma espécie extremamente ameaçada, com pouquíssimos registros no ambiente natural, e ver esses filhotes se desenvolvendo representa a concretização de um trabalho técnico construído com muito cuidado, dedicação e colaboração entre instituições. É um avanço que nos enche de esperança e reforça que a conservação baseada em ciência pode gerar resultados reais para espécies à beira da extinção”, destaca a diretora técnica do Parque das Aves, Roberta Manacero.
Leia também
O empenho técnico no manejo da espécie
O sucesso reprodutivo é fruto de um trabalho técnico integrado, que envolve planejamento de manejo, acompanhamento do desenvolvimento embrionário e cuidados específicos com cada fase da vida dos indivíduos. Profissionais de diferentes áreas atuaram de forma coordenada para garantir as condições adequadas para reprodução, crescimento e saúde dos filhotes, seguindo protocolos científicos rigorosos.
Além da reprodução sob cuidados humanos, a atuação do Parque das Aves também se estende ao ambiente de ocorrência natural da espécie. A participação em expedições de campo com a pesquisadora Elaine Lucas, responsável pela descoberta da espécie, permite ampliar o conhecimento sobre a perereca-rústica, monitorar populações silvestres e contribuir com dados essenciais para a construção de estratégias de conservação de longo prazo.
“A participação em todas as etapas, desde o campo até o manejo sob cuidados humanos, é fundamental para o sucesso da conservação. Esse resultado reflete um trabalho coletivo, técnico e contínuo, que busca não apenas compreender a espécie, mas garantir condições reais para sua sobrevivência”, destaca o gerente de Manejo, Richarlyston Brandt.

Próximos passos para a conservação da espécie
O nascimento dos 17 filhotes representa um avanço significativo na construção de uma população de segurança (grupo mantido sob cuidados humanos como garantia para a sobrevivência da espécie), estratégia essencial para espécies ameaçadas. O objetivo a longo prazo é fortalecer uma base populacional geneticamente viável, que possa contribuir para ações futuras de conservação em ambiente de ocorrência natural.
Mais do que um resultado pontual, o marco reforça a importância de iniciativas baseadas em ciência, cooperação e monitoramento contínuo. A perereca-rústica, como outros anfíbios, desempenha papel fundamental nos ecossistemas, atuando como bioindicadora da qualidade ambiental e contribuindo para o equilíbrio das cadeias ecológicas.
“Para quem acompanha a espécie no campo, saber que ela está se reproduzindo sob cuidados humanos é motivo de muita esperança. Estamos falando de uma população extremamente reduzida, então cada filhote faz diferença. Esse resultado abre caminho para, no futuro, pensarmos em ações que possam contribuir para o fortalecimento das populações no ambiente de ocorrência natural, sempre com muito cuidado e embasamento científico”, comenta Elaine Lucas, coordenadora do Projeto Perereca-rústica.
O avanço obtido no Parque das Aves representa um passo concreto na direção de um futuro mais seguro para a espécie, mostrando que a integração entre pesquisa, manejo e colaboração institucional pode transformar desafios em resultados reais para a conservação da Mata Atlântica.
Atuação colaborativa
A conquista é resultado de um esforço conjunto por meio do Projeto Perereca-rústica, que reúne o Parque das Aves, o Zoológico de São Paulo, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN/ICMBio) e a Universidade Federal de Santa Maria. A iniciativa integra o Plano de Ação Nacional para Conservação de Anfíbios e Répteis Ameaçados de Extinção da Região Sul do Brasil e fortalece a atuação colaborativa na proteção da espécie.
Sobre o Parque das Aves
O Parque das Aves, que possui um centro de conservação focado em espécies da Mata Atlântica e atua no acolhimento de animais resgatados, é o atrativo mais visitado do Paraná depois das Cataratas e completou 31 anos de atuação em 2025. Como instituição privada, os visitantes promovem a continuidade do trabalho do atrativo por meio da visita ao Parque, do consumo nos restaurantes do Complexo Gastronômico (Restaurante Sabores da Floresta, Bistrô da Mata e Café da Praça) e das compras na Loja de souvenirs.
Confira notícias de Foz do Iguaçu no Facebook do Diário de Foz e no Instagram do Diário de Foz
