VÍDEO: Moradores, trabalhadores e caminhoneiros avaliam saída das cargas da Argentina do centro de Foz

Quem mora, trabalha ou trafega diariamente pela Avenida Paraná relata como a alteração no percurso dos caminhões internacionais tem afetado a mobilidade e o cotidiano de uma das principais vias do município

5028525454096272326
Avenida Paraná. Foto: Maria Vitória de Moura

Após um mês do período de testes, iniciado em maio, passou a ser obrigatória a partir desta segunda-feira (22), conforme determinação da Receita Federal, a utilização da nova rota para caminhões pela Perimetral Leste para veículos que façam importação ou exportação de produtos entre Brasil e Argentina. Caminhões de transporte municipal e intermunicipal ainda podem circular pelas vias urbanas.

A norma tem como objetivo diminuir a circulação de veículos pesados por dentro de Foz do Iguaçu, principalmente na Avenida Paraná e Avenida das Catarata, a fim de reduzir os impactos causados pela circulação de caminhões em áreas de grande movimento urbano.

Ao longo do período de adaptação, moradores, trabalhadores, comerciantes e caminhoneiros acompanharam as mudanças na Avenida Paraná, uma das principais vias de Foz do Iguaçu. A reportagem ouviu pessoas que utilizam diariamente a região para entender como a alteração no percurso tem repercutido na rotina de quem vive, trabalha ou circula pelo local.

Segundo o taxista Angelim, que mora em Foz do Iguaçu há 56 anos e trabalha no ponto de táxi em frente ao Shopping Cataratas JL, um dos trechos mais movimentados da Avenida Paraná, o fluxo de caminhões na via era muito grande, afetando, principalmente, aqueles que trabalham diariamente no trânsito. “Agora sentimos que diminuiu bastante [o número de caminhões]”.

Clarice, trabalhadora de um estacionamento próximo à esquina da Avenida Paraná com a Costa e Silva, também notou a diminuição na circulação de caminhões. Para ela, o trânsito de veículos menores se tornou mais leve, sem tanto congestionamento, sendo mais fácil para adentrar e sair do estacionamento sem transtornos. “Melhorou para todo mundo, principalmente para nós que utilizamos a Avenida Paraná”, contou.

Um dos moradores da via, João Paulo, disse ao Diário que passeia todos os dias com sua cadelinha pela Avenida Paraná. “Graças a Deus melhorou”, afirmou ele ao relembrar das filas de caminhões que se formavam na via antes da mudança. “Já teve vezes de pegarmos filas de caminhões aqui, mas agora é raro que eu veja um caminhão”.

Já para o caminhoneiro Hector Hugo Espíndola, a nova rota tem pontos positivos e negativos para os caminhoneiros. De acordo com ele, o tempo de acesso ao Porto Seco diminuiu significativamente. “Antes nós levávamos 1h para chegar ao Porto Seco, agora em 10 minutos já estamos aqui”. Ele também reconhece os benefícios à população, já que carros, motos, pedestres e crianças circulam ativamente pela via.

Acerca dos pontos negativos, Hugo pontua que o que os caminhoneiros ganham de tempo no trajeto perdem na fila para adentrar o Porto Seco, já que a nova rota disponibiliza apenas uma entrada. “Antes eram duas entradas […] Agora em 10 minutos você está aqui, mas ai tem 1h, 2h, às vezes 3h para entrar”. Para ele, a entrega do novo Porto Seco, programada para dezembro de 2026, pode ser um caminho para resolver as filas e melhorar as condições de trabalho dos caminhoneiros. “Esperamos que na outra unidade isso melhore. Sempre que melhora para o motorista nós agradecemos”, afirma.

O novo Porto Seco está programado para ser o maior da América Latina, com capacidade de receber 2 mil caminhões por dia, aumentando em 30% a movimentação do atual terminal. A nova unidade está localizada na saída da cidade, às margens da BR-277. A obra também faz parte do projeto que visa desafogar o trânsito na área urbana de Foz do Iguaçu, onde está localizado o atual Porto Seco.

whatsapp image 2025 08 04 at 09.10.33
Projeto do novo Porto Seco. Foto: Multilog

Embora a nova estrutura aduaneira tenha previsão de conclusão ainda em 2026, a obra do acesso pela Br 277 está prevista contratualmente apenas para 2030. Entidades do setor produtivo alertam que, sem a infraestrutura adequada, o aumento do fluxo de veículos pesados poderá sobrecarregar as vias urbanas de Foz do Iguaçu, afetando a mobilidade, a segurança no trânsito e o acesso aos bairros próximos. Leia mais.

4,8 mil caminhões deixaram de passar pelo centro de Foz em um mês

De acordo com os dados divulgados pela Receita Federal nesta segunda-feira (22), durante o período de testes, 4.855 caminhões deixaram de circular pelo perímetro urbano de Foz do Iguaçu, especialmente pelas avenidas das Cataratas e Paraná. Do total, cerca de 1.257 veículos transportavam cargas de exportação e 3.598 realizavam operações de importação.

Agora, com o fim da fase de testes, o descumprimento da rota obrigatória caracteriza infração à legislação aduaneira. Nesses casos, transportadores e veículos poderão ser submetidos às penalidades previstas em lei, que incluem aplicação de multas, impedimento da continuidade da operação e, em situações mais graves, a pena de perda do veículo. Leia mais.

WhatsApp Image 2026 06 22 at 09.24.03
Foto: Divulgação/ RF

Assista abaixo a reportagem exclusiva do Diário de Foz


Confira notícias de Foz do Iguaçu no Facebook do Diário de Foz e no Instagram do Diário de Foz